quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Descoberta

Descobri o prazer de escrever.
Não querendo parecer convencida, até acho que no meio das minhas indefiniçoes me expresso relativamente bem para quem me conhece...
Para quem não conhece, provavelmente serei mais uma depressiva que se deveria atirar da ponte.. Parece incrivel, mas existem pessoas suficientemente más e capazes de proferir tais atrocidades. Pessoas para quem a depressão é coisa de malucos, e não uma doença. Pessoas incultas, pessoas sem capacidade de medir as palavras, mas apenas se regem em função dos danos que as suas palavras provocam.
Deveriam essas pessoas aprender a escrever, não no sentido literário, porque apenas são analfabetas de sentimentos e não de palavras.
Deveriam, tal como eu faço, mas confesso em excesso, elaborar frases na mente e apenas após reflexão proferi-las.
Podem alegar que ao redigir na nossa mente um pensamento antes de o partilhar lhe retiramos autenticidade. Eu prefiro pensar que lhe acrescentamos respeito.
Porque quem nunca errou por falar sem pensar que atire a primeira pedra? Ui, que neste momento a calçada portuguesa acabou de desaparecer em função de todos os pensam que nunca o fizeram e num impulso agarraram a sua pedra...
Eu, que escrevo para mim antes de escrever para os outros, já o fiz. Tenho a minha pedra na mão, mas tal como vocês não o irei fazer.
Já me arrependi, rasguei esta fachada de menina a quem parece que nada afecta e abri o coração. Mas de que me serviu, se segundos após, me atiraram essa mesma pedra por se sentirem superiores à sua própria consciência, e causaram muitos mais estragos que apenas um traumatismo craniano.
Por isso prefiro ser assim...
Escrever para mim, falar depois e no fundo proteger-me.
Mas o escudo caiu...

Definição

O que são definições?
Por meios delas temos a pretensão de conseguir apresentar algo de forma precisa por meio de palavras.
Eu considero-me indefinida. Porque se me tentasse identificar em palavras poderia dizer mil e teria sempre forma de argumentar que não era bem aquela que deveria usar...
Um exemplo, vou-me definir como amiga... Já o fui, já o deixei de ser, tento vir a sê-lo. Assim, não me sinto no "poder" de me identificar como tal.
Perguntei a alguem uma palavra que definiria o que sentia ao viver? A resposta, exactamente como eu esperava foi ALEGRIA.
E no fim, dessa mesma resposta, que por motivos que desconheço, ou que conheço, mas prefiro não expressar, fui invadida por uma melancolia e por um leve, mas porém, persistente rasgo de esperança nesta manta de tristeza que me cobre os dias e perturba o pensamento.
A minha resposta a essa mesma pergunta seria CANSAÇO. Não, não andei a fazer exercício, nem simplesmente correr.
Perdão, ando sim sempre a correr. A minha mente não pára. Eu peço-lhe para parar e ela nega-se. E isso resulta numa frustação enorme e no tal cansaço de que vos falo. Tento dormir e essa maratona diária de conversas que estabeleço na minha mente não permite. Permite sim, um estado de inquietação constante. E invejo, sim invejo quem tem a capacidade de simplesmente se deitar, encostar a cabeça na almofada e sonhar. Simplesmente não pensar.
Seria mais simples não dilacerar cada palavra que nos dizem, cada movimento facial, cada olhar, e simplesmente aceitar. Mas porque vou aceitar se sei que metade do que dizem não corresponde ao que querem dizer? Aprendi isso a muito custo. Ainda hoje vou aprendendo e tenhao plena consciência que nunca deixarei de o fazer.
Definir uma mesa é simples. Imaginemos que é plana, tem quatro pontos de apoio. A mesa mais simples acima da face da terra. E essa definiçao não se irá alterar.
Agora experimentem definir alguém. Não é assim tão fácil e não é imutável. Hoje és bonita, um dia serás feia (refiro-me á beleza interior). Hoje és sincera, mas uma pequena mentira muda tudo, e semeia a semente da desconfiança.
E para mim, mais difícil ainda é definir sentimentos. E Sabem porque? Porque eles se moldam às pessoas e ganham novos siginificados.
Tive o desejo de me moldar, investi alguma da minha correria mental nessa mesma aprendizagem, e no fim alcancei apenas uma simples mas dura verdade...
Estou cansada...

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Simplesmente música

Não consigo ouvir música! Pela primeira vez na minha vida não consigo.
Tudo me lembra de algo. Se existisse apenas uma mússica que não me lembrasse de ti, ou de ti, ou de ti...
De todas as pessoas que já passaram na minha vida, ou que simplesmente permanecem na melodia de uma música e essencialmente nas letras que deixam de ser belas, mas sim facadas que não vão directamente ao coração, mas que ferem aqui... Ali... Um pouco por todo o lado.
Lembro-me de cada letra que marcou uma fase destrutiva da minha vida. Não irei utlizar outra palavra porque é sem duvida a adequada. Destrutiva porque me foi dilacerando aos poucos.
Dilacerando os meus gostos, as minhas paixoes, os meus sonhos, os meus afectos... Tudo!
Relembro-me de cada sentimento que senti, ou sendo sincera que sinto. Por alguma espécie de magia negra, só pode ser negra, porque as cores para mim ha muito que desapareceram,cada acorde desperta em mim dores do passado.
Mas porque o passado não fica lá no cantinho dele?
Sempre me disseram esquece o passado, vive o presente, e o futuro será uma surpresa.
Por algum motivo que me transcende eu vivo o passado, menosprezo o presente e odeio o futuro.
Era capaz de acordar, por uma musica alegre a tocar, uma musica futil, uma musica que não preencha o coração, mas apenas a audição, e dançar feita uma criança a quem não importa se dança mal ou bem, mas unicamente dança (não, não precisam imaginar).
Agora, por mais vazia de conteudo que seja uma letra, ela tem palavras. Essas palavras provacam associações no meu cérebro, malditas sinapses, e no final lá está ele...
Lá está o pensamento destrutivo.
Porque me persegues?
Deixa-me ouvir uma musica e simplesmente sorrir. Unicamente saborear...

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Devaneios e metamorfoses

Devaneios e metamorfoses

Chegou o dia.
Chegou o dia de perceber que no mundo nem tudo é passível de mudança. Chegou o dia de perceber que existem pessoas naturalmente más.
Pessoas cuja palavra amor é apenas um aglomerado de letras e não um conjunto de atos que se espelham no outro e não em nós.
Porquê? Porque tem que ser assim? Porque não somos verdadeiros? Porque não nos damos por completo.
Eu sempre me regi pela norma que apenas dou aos outros o que me dão. Mas o grande problema é que se não me dão eu insisto e espero que um dia esse alguém mude.
Acredito na mudança… Acredito no poder de uma borboleta. Talvez por isso seja o símbolo da minha vida.
Não, não é porque são bonitas e têm muitas cores. É pelas mudanças que atravessam até serem livres:
Metamorfose
Transformação
Viagem
Libertação
Morte e Renascimento...
.
Simplesmente estão relacionadas com a nossa individualidade. Com a vida.
Mas qual vida? Ocorrem-me mil motivos para simplesmente ignorar a vida. Quando achares que dormir resolve os teus problemas, irás perceber que a vida para ti não faz sentido.
Recordo-me de ser criança e acordar cedo para simplesmente ver os desenhos animados. Que vida boa a de criança…
Existirá algo melhor que não sentirmos a pressão da sociedade. Penso que não. Tudo nos influencia. Tudo. A maneira de agirmos, de nos vestirmos, de falarmos, de nos expressarmos. Queremos sentir-nos integrados e perdemos a nossa essência. A essência que nos faz humanos. A essência de nos moldarmos sem perdermos a nossa individualidade.
Porque somos assim. Sim, pode ser bastante egoísta pensar em nós antes dos outros, mas mais egoísta ainda é fingirmos que pensamos nos outros enquanto nem em nós temos a capacidade de pensar.
Que queres ser na vida? Não sei. É esta a resposta. Perdi-me ao longo dos anos no caminho. Já quis ser tantas coisas. Em pequena cabeleireira, depois professora, depois fisioterapeuta (um sonho frustrado), trabalhar com crianças, e por fim fui parar a uma empresa em que sentia que poderia dar muito mais mas simplesmente não havia espaço para mim.
Porquê? Porquê? Porquê?
É esta a pergunta que rege a minha vida. E não encontro a resposta.
Amigos tentam ajudar. Amigos dão conselhos, mas verdadeiros amigos vão lá estar mesmo que não os sigamos. È assim que funciona a amizade. Trata-se apenas de dar e receber porque digam o que disserem todos gostamos de receber. Não me refiro a bens materiais, mas a afeto. Um abraço, uma lágrima, um olhar, vale mil vezes uma peça de roupa, uma playstation, essas coisas que hoje em dia nos compram.
Ninguém nos pode comprar e no momento em que tentar iremos perceber que não é a pessoa certa para nós. A nossa individualidade não se compra. Sim, molda-se. Mas não a todos, porque sabem a verdade?
Parece muito estupido o que vou dizer, mas só agora descobri que existem pessoas realmente más.
E mesmo assim pessoas suficientemente boas, ou estupidas, sim aceito o insulto, para não conseguirem odiar ninguém
Há pouco tempo atrás, falaram-me na hipotética, mas de facto acredito que quase toda a gente tem uma, lista negra.
E sabem o que descobri, eu não tenho. Já levei tantos pontapés e no entanto ela não existe. Gostava de perceber porquê. Porque já levei tantos pontapés, tantas desilusões, e no entanto sinto que não consigo odiar ninguém.
Porquê?
Eu queria odiar!!!! Eu quero. Chega de sofrimentos. Porque continuar a sofrer? Porque afogar-me nas minhas próprias lágrimas, se sei que muito poucos se iriam preocupar em mergulhar por mim. Mergulhar, não ter tempo de tirar as roupas caras, estragar o penteado, um sacrifício enorme para muita gente.
Não deixo de acreditar que no entanto, uma ou outra pessoa que cruzou o meu caminho o faria. Sei que tu o farias!!! Quando digo tu refiro-me a todos os que por mais que uma vez não apenas secaram as minhas lagrimas, mas simplesmente evitaram que caíssem.
Existem alguns “TU” especiais. Mas as pessoas sabem o valor que têm na nossa vida. Não é necessária recordarmos a todo o instante.
Quando for necessário recordar que estão lá, algo não está bem. Há insegurança. Há medo.
Sim, não digo que o medo não possa ter uma vertente positiva. O medo faz-nos dar valor ao que temos e podemos perder. E sim, a vida não são só felicidades. Não nos cai tudo ao colo. É preciso lutar.
Mas que estou em para aqui a dizer!? Lutar? Não o sei fazer. Sempre que o fiz serviu apenas para me afundar ainda mais. Será que não lutei da forma correta?
Sabem a resposta…. Esta eu sei. Lutei pelos outros e não por mim.
Tenho uma depressão! Há vários anos. Da qual tenho tentado fugir mas não enfrentar. E ela esconde-se num buraquinho, mas passado uns dias, meses, semanas, anos lá volta ela.
Primeiro espreita, depois vai ocupando o seu espaço e por fim apodera-se. Não me deixa respirar, pensar, reagir… Torna-se obsessiva. Torno-me obsessiva. Um zombie que deambula entre estados de consciência e estados de pura loucura. Só lhe posso chamar loucura, porque viver em função do que uns neurónios avariados no meu cérebro querem e não em função do que gosto e quero só pode ser loucura.
Gostava de acabar de vez com esta loucura. Todos nós sabemos os sintomas. Tristeza, irritabilidade, insónias, apatia, falta de energia, de apetite e por fim vontade de acabar com tudo de vez. Sim, isso mesmo, Suicídio.
Há dois dias atrás tomei três comprimidos de uma vez quando só deveria ter tomado meio. Isso fez-me perceber que estou no limite.
Posso atribuir esse limite a outras pessoas. Sim, trataram-me como lixo e eu que me considero boa pessoa não mereço. Não mereço porque sou boa o suficiente para perdoar.
Talvez não devesse. Porque tenho que tentar ser boa pessoa se tudo o que me fizeram até hoje me matou aos poucos. Ou serei eu que me vou matando aos poucos?
Tantas dúvidas. Corroem a minha mente. O meu espirito.
Termino esta divagação, que tem apenas como intenção atenuar o meu sofrimento, com uma pergunta, á qual necessito urgentemente de uma resposta…
Como se alcança a felicidade?