Dia de despedidas...
A esta hora uma grande amiga está a sobrevoar o oceano Atlântico. Um oceano de distância...
Não poderei ir ter contigo, desfrutar do teu abraço de consolo, ou simplesmente dizer "olha, vamos beber um café".
Mas sei, e tenho certeza, que estarás sempre disponível para me ouvir e que uma vez mais o riso da viajante me irá fazer despertar para um mundo que desconheço. O da alegria. Estarei sempre disponível estejas onde estiveres. Deste-me um apoio incalculável quando mais precisei. Foi a ti que liguei naquele dia e tu sabes disso. Obrigada amiga!
Eu no fundo sabia que não te irias despedir de mim. Odeias despedidas e na verdade eu também. Vou pensar que será um "até já". Torna-se mais simples assim.
De ti continuo a despedir-me diariamente sem saber quando será a ultima vez. Não é fácil. Nunca será. Nem quero! Não vou deixar! Despedir-me de ti não faz sentido!
Provavelmente será a ultima vez que escrevo este ano. Mais uma despedida. Despedida do ano de 2011 que tanto mudou a minha vida.
Não ligo à passagem de ano, ao momento em si. Trata-se apenas de um segundo que passa num relógio. Toda a gente festeja, grita, celebra, bebe... Faz assim tanta diferença? Não, não mesmo.
Contudo, é inevitável que faça um balanço e pense em tudo o que aconteceu num unico ano. Tantas mudanças, tantas provações, tanto sofrimento, tanto crescimento, algumas amizades que permanecerão (outras que se perderão no tempo e no esquecimento), resumidamente muitas lições de vida.
Ainda hoje questiono algumas decisões que tomei. Sei que algumas foram sem duvida as correctas, outros de certeza absoltuta que as mais erradas possíveis e outras um dia saberei... Ou talvez nunca...
Mas é preciso seguir em frente. O caminho está cheio de obstáculos. Temos que os contornar, se tropeçarmos e cairmos não haverá outra solução senão voltar a erguer-nos. Foi isso que tentei ir fazendo, dia após dia.
Tornou-se um ciclo vicioso.
Nos ultimos meses tenho tropeçado diariamente em mim mesma, não tem sido nada fácil gerir tudo o que passa em meu redor. As forças vão embora. Abandonam-me. Dizem-me adeus. Mas no dia a seguir, na semana a seguir, no mês a seguir, eu sei que elas vão voltar. Não será certamente um regresso em grande, com uma grande comitiva de recepção, com um forte entusiasmo. Será apenas um regresso aos poucos, lentamente, fazendo-se notar dia após dia.
Como um grande amigo meu diz tenho que guardar a alegria e espreitar à janela e ver que está sol e não de chuva.
Um dia talvez serei capaz de dizer que gosto de viver. De afastar a chuva e as nuvens que perturbam o meu entendimento da vida. Será para o ano? Provavelmente não, mas vou equacionar um talvez...
Despeço-me em português, e com desejo de virar a página...
"O meu passado é tudo quanto não consegui ser. Nem as sensações de momentos idos me são saudosas: o que se sente exige o momento; passado este, há um virar de página e a história continua, mas não o texto."
Fernando Pessoa
Ps. FELIZ 2012!!! Desejo para vocês o que desejo para mim. Só tem três letrinhas... PAZ!!!
"A escrita é a pintura da voz." Nada descreveria melhor a minha relação com as palavras. Por isso irei gastar toda a minha tinta até que a voz me doa..
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
Chuva
"O dia deu em chuvoso.
A manhã, contudo, esteve bastante azul.
O dia deu em chuvoso.
Desde manhã eu estava um pouco triste.
Antecipação! Tristeza? Coisa nenhuma?
Não sei: já ao acordar estava triste.
O dia deu em chuvoso.
Bem sei, a penumbra da chuva é elegante.
Bem sei: o sol oprime, por ser tão ordinário, um elegante.
Bem sei: ser susceptível às mudanças de luz não é elegante.
Mas quem disse ao sol ou aos outros que eu quero ser elegante?
Dêem-me o céu azul e o sol visível.
Névoa, chuvas, escuros — isso tenho eu em mim.
Hoje quero só sossego.
Até amaria o lar, desde que o não tivesse.
Chego a ter sono de vontade de ter sossego.
Não exageremos!
Tenho efetivamente sono, sem explicação.
O dia deu em chuvoso.
Carinhos? Afetos? São memórias...
É preciso ser-se criança para os ter...
Minha madrugada perdida, meu céu azul verdadeiro!
O dia deu em chuvoso.
Boca bonita da filha do caseiro,
Polpa de fruta de um coração por comer...
Quando foi isso? Não sei...
No azul da manhã...
O dia deu em chuvoso."
Álvaro de Campos
Passou um camião por cima de mim e não dei conta? Não! Então porque me sinto assim?
Destroçada. Devastadada. Em pedaços. Deitada no chão e sem forças para me erguer.
Que dia de chuva... Que temporal...
A manhã, contudo, esteve bastante azul.
O dia deu em chuvoso.
Desde manhã eu estava um pouco triste.
Antecipação! Tristeza? Coisa nenhuma?
Não sei: já ao acordar estava triste.
O dia deu em chuvoso.
Bem sei, a penumbra da chuva é elegante.
Bem sei: o sol oprime, por ser tão ordinário, um elegante.
Bem sei: ser susceptível às mudanças de luz não é elegante.
Mas quem disse ao sol ou aos outros que eu quero ser elegante?
Dêem-me o céu azul e o sol visível.
Névoa, chuvas, escuros — isso tenho eu em mim.
Hoje quero só sossego.
Até amaria o lar, desde que o não tivesse.
Chego a ter sono de vontade de ter sossego.
Não exageremos!
Tenho efetivamente sono, sem explicação.
O dia deu em chuvoso.
Carinhos? Afetos? São memórias...
É preciso ser-se criança para os ter...
Minha madrugada perdida, meu céu azul verdadeiro!
O dia deu em chuvoso.
Boca bonita da filha do caseiro,
Polpa de fruta de um coração por comer...
Quando foi isso? Não sei...
No azul da manhã...
O dia deu em chuvoso."
Álvaro de Campos
Passou um camião por cima de mim e não dei conta? Não! Então porque me sinto assim?
Destroçada. Devastadada. Em pedaços. Deitada no chão e sem forças para me erguer.
Que dia de chuva... Que temporal...
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
Momento
Uns dias depois cá estou novamente...
Tantas coisas que me atacaram ao mesmo tempo. Uma febre que originou uma tristeza, ou muito possivelmente uma tristeza enorme que me enfraqueceu ao ponto de estar vulnerável a tudo e mais alguma coisa...
Procuro ganhar forças, mas não estou a conseguir. Não estou. Só me estou a afogar neste mar de insegurança que me rodeia.
Passou-se o natal. Tal como gosto, com a familia toda reunida. Não são os presentes que me motivam, mas sim as pessoas, que eu adoro com todo o meu coração. Acho que herdei de ti este gosto. Vais sempre lá estar comigo...
Mas por mais que quisesse estar bem, confesso que há momentos em que preciso de estar sozinha e que até uma simples reunião familiar se torna extenuante. E isso magoa, porque vejo em meu redor sorrisos e no meu interior apenas um desejo de isolamento e isso entristece-me. Queria ser apenas mais uma a sorrir.
Neste momento sou mais uma a chorar...
Mas ontem por momentos sorri. Um espectaculo de "ALEGRIA" teve esse efeito...
Não é curioso? No meio de tanta mágoa e desilusão com a vida, vou ver um espectáculo que se chama precisamente alegria. E que adorei. Uma prenda de natal muito especial e com um valor incalculavel. Obrigada! Sabes que nunca vou esquecer. Sorri e vi-te sorrir... E isso não tem preço.
Como descrever a alegria? Tantas cores, tanto movimentos e tantos sorrisos. Assim deveria ser a vida. Não deveria ser escura, parada e triste...
No palco da vida devemos assumir o papel de personagens principais,intervenientes, e não de meros espectadores, ou então, quando dermos conta, perdemos a nossa oportunidade de entrar em cena e será tarde demais...
Já deixei passar tantas vezes a minha oportunidade. Não tenho coragem de intervir, guardo as falas só para mim, e quando dou conta já as cortinas se fecharam.
Um dia talvez consiga ter o meu momento...
Tantas coisas que me atacaram ao mesmo tempo. Uma febre que originou uma tristeza, ou muito possivelmente uma tristeza enorme que me enfraqueceu ao ponto de estar vulnerável a tudo e mais alguma coisa...
Procuro ganhar forças, mas não estou a conseguir. Não estou. Só me estou a afogar neste mar de insegurança que me rodeia.
Passou-se o natal. Tal como gosto, com a familia toda reunida. Não são os presentes que me motivam, mas sim as pessoas, que eu adoro com todo o meu coração. Acho que herdei de ti este gosto. Vais sempre lá estar comigo...
Mas por mais que quisesse estar bem, confesso que há momentos em que preciso de estar sozinha e que até uma simples reunião familiar se torna extenuante. E isso magoa, porque vejo em meu redor sorrisos e no meu interior apenas um desejo de isolamento e isso entristece-me. Queria ser apenas mais uma a sorrir.
Neste momento sou mais uma a chorar...
Mas ontem por momentos sorri. Um espectaculo de "ALEGRIA" teve esse efeito...
Não é curioso? No meio de tanta mágoa e desilusão com a vida, vou ver um espectáculo que se chama precisamente alegria. E que adorei. Uma prenda de natal muito especial e com um valor incalculavel. Obrigada! Sabes que nunca vou esquecer. Sorri e vi-te sorrir... E isso não tem preço.
Como descrever a alegria? Tantas cores, tanto movimentos e tantos sorrisos. Assim deveria ser a vida. Não deveria ser escura, parada e triste...
No palco da vida devemos assumir o papel de personagens principais,intervenientes, e não de meros espectadores, ou então, quando dermos conta, perdemos a nossa oportunidade de entrar em cena e será tarde demais...
Já deixei passar tantas vezes a minha oportunidade. Não tenho coragem de intervir, guardo as falas só para mim, e quando dou conta já as cortinas se fecharam.
Um dia talvez consiga ter o meu momento...
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
Visão
Um dia e tantos olhares...
Se um olhar vale por mil palavras, quantas frases já eu construi ao olhar para dentro de mim? Ou quando paro no mundo, olhando o nada?
Um número indefinido e impossível de calcular na imensidão dos pormenores que preenchem aquilo a que damos o nome de vida e a qual aceitamos sem ver. Limitamo-nos a olhar, e não passamos para a visão verdadeira. Para um olhar puro e cristalino.
Posso pertencer ao teu mundo linda princesa em que olhaste para alguém e logo viste a sua maldade? Fiquei impressionada. Tinhas toda a razão, e todos viam excepto eu.
Sinto que constantemente me observam e examinam minuciosamento. Como se fosse algo, ou melhor alguem, que não deveria pertencer a este planeta. Por vezes sinto que não pertenço. Por vezes sinto que não desejo pertencer...
Quero encontrar o meu lugar, o meu cantinho mágico. Onde o meu olhar não se perca na fraqueza e se concentre em doses de segurança e principalmente em doses de cofiança. Essa que perdi há tanto tempo atrás. Essa já não conto recuperar.
Todos nós ficamos cegos por vezes, cegos com sentimentos que perturbam o nosso discernimento. Esta cegueira adquirida que nos faz perder em nós mesmos e dificulta encontrar o caminho de volta para a nossa realidade.
Sabem, estou cansada de olhares recriminatórios, estou cansada de julgamentos, estou cansada de pensar no que queriam que eu fosse e no que me tornei.
Mas no fundo, eu sei que unicamente olhei demais por vocês e agora tenho que redescobrir como olhar para dentro de mim. E a culpa é minha, apenas minha.
Por isso peço...
Não olhem para mim! Ignorem-me simplesmente!
Até ao dia em que me consiga ver como na realidade sou e não como procuro ser ...
Se um olhar vale por mil palavras, quantas frases já eu construi ao olhar para dentro de mim? Ou quando paro no mundo, olhando o nada?
Um número indefinido e impossível de calcular na imensidão dos pormenores que preenchem aquilo a que damos o nome de vida e a qual aceitamos sem ver. Limitamo-nos a olhar, e não passamos para a visão verdadeira. Para um olhar puro e cristalino.
Posso pertencer ao teu mundo linda princesa em que olhaste para alguém e logo viste a sua maldade? Fiquei impressionada. Tinhas toda a razão, e todos viam excepto eu.
Sinto que constantemente me observam e examinam minuciosamento. Como se fosse algo, ou melhor alguem, que não deveria pertencer a este planeta. Por vezes sinto que não pertenço. Por vezes sinto que não desejo pertencer...
Quero encontrar o meu lugar, o meu cantinho mágico. Onde o meu olhar não se perca na fraqueza e se concentre em doses de segurança e principalmente em doses de cofiança. Essa que perdi há tanto tempo atrás. Essa já não conto recuperar.
Todos nós ficamos cegos por vezes, cegos com sentimentos que perturbam o nosso discernimento. Esta cegueira adquirida que nos faz perder em nós mesmos e dificulta encontrar o caminho de volta para a nossa realidade.
Sabem, estou cansada de olhares recriminatórios, estou cansada de julgamentos, estou cansada de pensar no que queriam que eu fosse e no que me tornei.
Mas no fundo, eu sei que unicamente olhei demais por vocês e agora tenho que redescobrir como olhar para dentro de mim. E a culpa é minha, apenas minha.
Por isso peço...
Não olhem para mim! Ignorem-me simplesmente!
Até ao dia em que me consiga ver como na realidade sou e não como procuro ser ...
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Luta
Estou cansada de ti maldito tempo.
Cada dia, hora, minuto, segundo custa tanto a passar. Parecem meses...
Eu não quero esses meses, porque cada minuto é mais um pensamento triste e sem esperança que ocupa espaço no meu cérebro. E ele, eu, nós precisamos de espaço para alguma felicidade.
Ela não consegue espreitar e, quando tenta chegar de "mansinho", por entre os pingos da chuva, logo se esquiva e vai embora.
Consigo contabilizar os meus sorrisos numa semana. Parece incrível não é? Mas são tão poucos momentos que provocam esse efeito em mim, que consigo recordar cada um. E não vou cometer a falsidade de dizer que são poucos, mas bons. São poucos e definitivamente insuficientes.
Por vezes, a vontade de desistir é enorme. De me entregar.
Imagino uma luta corpo a corpo entre a minha felicidade e infelicidade. Esta terminaria ao primeiro round porque a infelicidade sairia vitoriosa e, sem precisar de se esforçar minimamente, enconstaria a felicidade a um canto do qual a mesma já não conseguiria sair e se renderia à sua opositora.
Existem no entanto guerreiros que conseguem ripostar, dão o melhor que têm para venceram as suas batalhas e ainda dispendem da pouca energia que lhes resta a quem dela mais necessita. Mas até o mais nobre dos guerreiros tem as sua fraquezas, os seus pontos fracos, e por momentos desiste. Diz-se cansado. Mas no entanto eu sei que te irás erguer novamente. Tens forças que desconheces, assim como o dizes de mim. Mas descansa guerreiro.
Quanto a mim invejo quem tem força e repudio-me por ser tão fraca de corpo e sobretudo de pensamento.
Sinto o coração a fraquejar, literalmente. Os seus batimentos, cada vez mais fracos, ecoam no vazio da minha vida.
A vida é mesmo assim. Batalhas constantes. Um dia vencemos, no dia seguinte perdemos... Mas quando dia após dia a nossa vontade de viver é beliscada pelas batalhas perdidas, sentimos que se aproxima o desfecho da guerra.
Por isso a atitude mais correcta é apenas esta...
Rendo-me!
Cada dia, hora, minuto, segundo custa tanto a passar. Parecem meses...
Eu não quero esses meses, porque cada minuto é mais um pensamento triste e sem esperança que ocupa espaço no meu cérebro. E ele, eu, nós precisamos de espaço para alguma felicidade.
Ela não consegue espreitar e, quando tenta chegar de "mansinho", por entre os pingos da chuva, logo se esquiva e vai embora.
Consigo contabilizar os meus sorrisos numa semana. Parece incrível não é? Mas são tão poucos momentos que provocam esse efeito em mim, que consigo recordar cada um. E não vou cometer a falsidade de dizer que são poucos, mas bons. São poucos e definitivamente insuficientes.
Por vezes, a vontade de desistir é enorme. De me entregar.
Imagino uma luta corpo a corpo entre a minha felicidade e infelicidade. Esta terminaria ao primeiro round porque a infelicidade sairia vitoriosa e, sem precisar de se esforçar minimamente, enconstaria a felicidade a um canto do qual a mesma já não conseguiria sair e se renderia à sua opositora.
Existem no entanto guerreiros que conseguem ripostar, dão o melhor que têm para venceram as suas batalhas e ainda dispendem da pouca energia que lhes resta a quem dela mais necessita. Mas até o mais nobre dos guerreiros tem as sua fraquezas, os seus pontos fracos, e por momentos desiste. Diz-se cansado. Mas no entanto eu sei que te irás erguer novamente. Tens forças que desconheces, assim como o dizes de mim. Mas descansa guerreiro.
Quanto a mim invejo quem tem força e repudio-me por ser tão fraca de corpo e sobretudo de pensamento.
Sinto o coração a fraquejar, literalmente. Os seus batimentos, cada vez mais fracos, ecoam no vazio da minha vida.
A vida é mesmo assim. Batalhas constantes. Um dia vencemos, no dia seguinte perdemos... Mas quando dia após dia a nossa vontade de viver é beliscada pelas batalhas perdidas, sentimos que se aproxima o desfecho da guerra.
Por isso a atitude mais correcta é apenas esta...
Rendo-me!
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
Ajuda
Tinhas razão.
Insististe e sai um pouco do casulo. Não queria. Resisti mas felizmente cedi. Sei que irei voltar em breve para lá, mas por momentos senti uma leveza indiscritivel.
Numa semana de pura tristeza e apenas baixos, a tua amizade fez-me sorrir.
Obrigada pela tua maneira descontraida de ser e por nunca teres desistido de mim.
Abri o meu coração, tu abriste o teu.
Devo ter voado por instantes. Afinal ainda não me cortaram as asas de vez...
Insististe e sai um pouco do casulo. Não queria. Resisti mas felizmente cedi. Sei que irei voltar em breve para lá, mas por momentos senti uma leveza indiscritivel.
Numa semana de pura tristeza e apenas baixos, a tua amizade fez-me sorrir.
Obrigada pela tua maneira descontraida de ser e por nunca teres desistido de mim.
Abri o meu coração, tu abriste o teu.
Devo ter voado por instantes. Afinal ainda não me cortaram as asas de vez...
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Abandono
Sozinha, triste, amargurada...
Continuaria indefinidamente a utilizar adjectivos para definir o que sinto neste momento.
Saberia que um dia seria assim. Não imaginei que seria tão depressa. Mas "mais com menos dá menos".
Mas que semana meu Deus! E eu que nem acredito em Deus invoco o seu nome agora porquê? Porque já nem sei o que digo.
Revolto-me com quem mais gosta de mim, irrito-me à minima perturbação do meu tão amado silêncio, faço pessoas chorar porque se preocupam.
Odeio-me! Odeio-me! Odeio-me!
Abandonada é como me sinto neste momento. Levas-me contigo maldita tristeza. Cada dia levas mais um pouco. Deixas-me só.
Agora levaste o meu ultimo sorriso. Saiu pela minha porta fora. Pela porta do meu coração e sei que deixou a chave comigo para nunca mais ter a tentação de voltar a entrar.
Deitarei fora a chave, reforçarei a fechadura, mas no final a porta estará sempre aberta...
Continuaria indefinidamente a utilizar adjectivos para definir o que sinto neste momento.
Saberia que um dia seria assim. Não imaginei que seria tão depressa. Mas "mais com menos dá menos".
Mas que semana meu Deus! E eu que nem acredito em Deus invoco o seu nome agora porquê? Porque já nem sei o que digo.
Revolto-me com quem mais gosta de mim, irrito-me à minima perturbação do meu tão amado silêncio, faço pessoas chorar porque se preocupam.
Odeio-me! Odeio-me! Odeio-me!
Abandonada é como me sinto neste momento. Levas-me contigo maldita tristeza. Cada dia levas mais um pouco. Deixas-me só.
Agora levaste o meu ultimo sorriso. Saiu pela minha porta fora. Pela porta do meu coração e sei que deixou a chave comigo para nunca mais ter a tentação de voltar a entrar.
Deitarei fora a chave, reforçarei a fechadura, mas no final a porta estará sempre aberta...
Silêncio
"Silêncio é um esquecimento mental que nos permite comunicar profundamente com alguém."
Remeto-me ao silêncio. Deito a cabeça na almofada e delicio-me com este mesmo que me rodeia. Comunicarei contigo e terei longas conversas sem resposta.
Dia difícil de engolir. Apenas mais um...
Remeto-me ao silêncio. Deito a cabeça na almofada e delicio-me com este mesmo que me rodeia. Comunicarei contigo e terei longas conversas sem resposta.
Dia difícil de engolir. Apenas mais um...
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
Palavras
Olho para as teclas e sei que involuntariamente as palavras surgirão.
Elas estão por todo o lado.
Necessitamos delas para designar os objectos, as acções, os sentimentos, os pensamentos, as pessoas...
Somos bombardeados por palavras, sons, muitos sem sentido. No meu pensamento uma pergunta surge constantemente.
Porque não pensam as pessoas antes de falar?
Não gastem em vão os conhecimentos que adquiriram ao longo de uma vida. Não se magoem por utilizar as palavras certas nas situações erradas ou pior, as palavras erradas nas situações certas.
Muito fica por dizer. Na minha vida 99,9% ficou por dizer e certamente ficará. Algo que espero vir a alterar. Apenas mais um passo na longa caminhada da descoberta de mim mesma.
Todos sabemos que é possível conquistar com palavras. Conquistar quem beba das nossas palavras como se se tratasse do líquido mas precioso ao cimo da Terra. Já embriaguei com o poder das mesmas. Porque nunca as desperdicei e sei quando devem ser utilizadas. Arrependi-me de o fazer. Porque eu própria me convenci que o que dizia era verdade. Mas não era. Mas por vezes, e tantas vezes, repetimos para nós mesmos essas malditas palavras e as mesmas ganham uma falsa verdade.
Repito diariamente para mim mesma e para ti três singelas palavras "isto já passa". Três palavras que representam acima de tudo um desejo forte de mudança, mas acima de tudo uma fraqueza. Por mais que as diga, no dia seguinte lá estão elas novamente e não me largam.
Quando elas lá estão, há algo mais que está.
Uma tristeza desmedida, descontrolada e inexplicável.
Amaldiço-o essas palavras porque enquanto outras tão facilmente ganharam vida, estas dificilmente sairão do imaginário...
"Já não quero dicionários
consultados em vão.
Quero só a palavra
que nunca estará neles
nem se pode inventar.
Que resumiria o mundo
e o substituiria.
Mais sol do que o sol,
dentro da qual vivêssemos
todos em comunhão,
mudos,
saboreando-a."
Carlos Drummond de Andrade, in 'A Paixão Medida'
Elas estão por todo o lado.
Necessitamos delas para designar os objectos, as acções, os sentimentos, os pensamentos, as pessoas...
Somos bombardeados por palavras, sons, muitos sem sentido. No meu pensamento uma pergunta surge constantemente.
Porque não pensam as pessoas antes de falar?
Não gastem em vão os conhecimentos que adquiriram ao longo de uma vida. Não se magoem por utilizar as palavras certas nas situações erradas ou pior, as palavras erradas nas situações certas.
Muito fica por dizer. Na minha vida 99,9% ficou por dizer e certamente ficará. Algo que espero vir a alterar. Apenas mais um passo na longa caminhada da descoberta de mim mesma.
Todos sabemos que é possível conquistar com palavras. Conquistar quem beba das nossas palavras como se se tratasse do líquido mas precioso ao cimo da Terra. Já embriaguei com o poder das mesmas. Porque nunca as desperdicei e sei quando devem ser utilizadas. Arrependi-me de o fazer. Porque eu própria me convenci que o que dizia era verdade. Mas não era. Mas por vezes, e tantas vezes, repetimos para nós mesmos essas malditas palavras e as mesmas ganham uma falsa verdade.
Repito diariamente para mim mesma e para ti três singelas palavras "isto já passa". Três palavras que representam acima de tudo um desejo forte de mudança, mas acima de tudo uma fraqueza. Por mais que as diga, no dia seguinte lá estão elas novamente e não me largam.
Quando elas lá estão, há algo mais que está.
Uma tristeza desmedida, descontrolada e inexplicável.
Amaldiço-o essas palavras porque enquanto outras tão facilmente ganharam vida, estas dificilmente sairão do imaginário...
"Já não quero dicionários
consultados em vão.
Quero só a palavra
que nunca estará neles
nem se pode inventar.
Que resumiria o mundo
e o substituiria.
Mais sol do que o sol,
dentro da qual vivêssemos
todos em comunhão,
mudos,
saboreando-a."
Carlos Drummond de Andrade, in 'A Paixão Medida'
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
Mar revoltado
"Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade."
Sophia de Mello Breyner Andresen
Correria o mundo á procura de tão bela e idilica praia...
Deveria ser assim. Simplesmente beleza e esperança nas palavras.
Para mim não! Pensamentos são tão turbulentos como o mar em dias de tempestade.
Uma onda pode surgir sem aviso prévio e enrolar-nos de tal maneira que poderá parecer não ter fim.
Tenho receio desse mar revoltado. Tenho medo que nunca chegue o dia em que acalme.
Não gosto de ondas. Gosto de me sentir segura. Sem receio de ser apanhada e levada para bem longe. Para um local de onde posso não ter forças para voltar.
Anseio pelo dia em que serei salva deste mal revolto.
Leva-me para um local seguro, para onde tenha pé, para onde vejo os teus braços estendidos à minha espera!
As minhas ultimas forças serão para dar as ultimas braçadas e alcançar a segurança e paz que tanto preciso.
Será que consigo? Não sei nadar. Sei boiar. Não sei viver. Sei sobreviver...
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade."
Sophia de Mello Breyner Andresen
Correria o mundo á procura de tão bela e idilica praia...
Deveria ser assim. Simplesmente beleza e esperança nas palavras.
Para mim não! Pensamentos são tão turbulentos como o mar em dias de tempestade.
Uma onda pode surgir sem aviso prévio e enrolar-nos de tal maneira que poderá parecer não ter fim.
Tenho receio desse mar revoltado. Tenho medo que nunca chegue o dia em que acalme.
Não gosto de ondas. Gosto de me sentir segura. Sem receio de ser apanhada e levada para bem longe. Para um local de onde posso não ter forças para voltar.
Anseio pelo dia em que serei salva deste mal revolto.
Leva-me para um local seguro, para onde tenha pé, para onde vejo os teus braços estendidos à minha espera!
As minhas ultimas forças serão para dar as ultimas braçadas e alcançar a segurança e paz que tanto preciso.
Será que consigo? Não sei nadar. Sei boiar. Não sei viver. Sei sobreviver...
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Um dia talvez...
Não consigo descrever o que se passa no meu coração. Não, não é apenas, no pensamento, é no coração...
Nada faz sentido. Simplesmente nada faz sentido.
Recuso-me a pensar que perdi anos. Quero antes pensar que os ganhei. Mas neste momento torna-se impossível pensar de tal maneira.
Uma luz apagou-se. E eu consigo perceber o porquê de ser assim por mais que doa. Consigo, mas não quero.
Eu sei qual a palavra que descreve a atitude que tiveram comigo. Tão bela, mas no entanto tão difícil de engolir neste momento. Nada passa. Palavras de incentivo. Palavras de conforto. Nada!
Gostaria de por poderes mágicos mudar tudo agora. Mudar palavras, acções, sentimentos. Mas quem sou eu? Sou apenas mais uma. Aquela uma que apenas quer fazer alguem feliz mas no entanto...
Há tanto por dizer e tanto que ficará por dizer...
Nada faz sentido. Simplesmente nada faz sentido.
Recuso-me a pensar que perdi anos. Quero antes pensar que os ganhei. Mas neste momento torna-se impossível pensar de tal maneira.
Uma luz apagou-se. E eu consigo perceber o porquê de ser assim por mais que doa. Consigo, mas não quero.
Eu sei qual a palavra que descreve a atitude que tiveram comigo. Tão bela, mas no entanto tão difícil de engolir neste momento. Nada passa. Palavras de incentivo. Palavras de conforto. Nada!
Gostaria de por poderes mágicos mudar tudo agora. Mudar palavras, acções, sentimentos. Mas quem sou eu? Sou apenas mais uma. Aquela uma que apenas quer fazer alguem feliz mas no entanto...
Há tanto por dizer e tanto que ficará por dizer...
Luz
Olho em volta e a minha visão foca-se numa singela imagem... As luzes da árvore de Natal... Vem o amarelo, depois o azul, de seguida o vermelho e por ultimo o verde.
As intensidades com que se mostram altera-se de momento em momento. Por vezes parece que nem sequer irão acender e outras que vencerão as restantes e essa será a cor dominante.
Neste momento, perguntam-se por que motivo está ela a escrever sobre luzes de árvore de Natal. Enlouqueceu de vez dirão. Talvez! Penso que também já não me resta muita sanidade para por vezes encarar a inconstância da vida.
Mas escrevo simplesmente porque consigo identificar numas luzes de Natal a vida. As pessoas. Cada uma de nós em determinado ponto da nossa existência.
Uns brilham mais hoje, outros brilharão mais amanhã, outros terão um brilho eterno e outros nunca chegarão a brilhar.
Há notícias que nos devastam. Cada luz que se apaga faz-nos dar mais valor às que nos iluminam diariamente.
Um dia quando te apagaste, aliás fui assistindo à tua perda de luz diariamente, doeu de uma forma imensurável. Senti que iria acontecer. Ainda hoje dói. Falta pouco. Não preciso do dia nem nunca precisarei para me recordar de ti, basta-me um simples sorriso puro como o teu sempre foi. O sorriso que sempre me ofereceu e que me enchia de luz e me fazia sentir especial no seu coração.
Existe, aliás, não existirá, quem nem teve hipótese de inciar o seu brilho e optar pela cor que seria, mais quente ou mais fria (decididamente há momentos que não são faceis de transmitir em palavras). Mas só consigo imaginar lágrimas e lágrimas e a eterna pergunta que sempre fazemos quando algo corre mal.. Porquê? Porquê a mim?
Tenho no entanto esperança que tu venhas a brilhar. Não pode ser só escuridão. Tu terás que brilhar bolas!
Na vida todos nós brilhamos mais em determinadas ocasiões, aos nossos olhos e aos olhos dos outros. Por vezes, não vemos o nosso próprio brilho e no entanto quem nos rodeia sente-se iluminado apenas pela nossa presença. Podemos dar luz uns aos outros, conforto e mostrar que estamos cá para preencher aquele cantinho escuro. Se nos deram a hipótese de cá estar porquê desperdicá-la no escuro?
Sabem que falo da boca para fora. Falo sempre como gostaria de ser e como talvez um dia serei.
Fui apagando pessoas da minha vida, colocando-as no cantinho mais escondido da minha mente, mas o brilho de algumas é tão forte que ainda prevalece, mesmo após todos os meus esforços.
Brilhem, escolham a vossa cor, iluminem quem vos rodeia e mesmo que não esteja naquele momento do vosso lado existirá sempre alguém que não vos deixará apagar de vez...
As intensidades com que se mostram altera-se de momento em momento. Por vezes parece que nem sequer irão acender e outras que vencerão as restantes e essa será a cor dominante.
Neste momento, perguntam-se por que motivo está ela a escrever sobre luzes de árvore de Natal. Enlouqueceu de vez dirão. Talvez! Penso que também já não me resta muita sanidade para por vezes encarar a inconstância da vida.
Mas escrevo simplesmente porque consigo identificar numas luzes de Natal a vida. As pessoas. Cada uma de nós em determinado ponto da nossa existência.
Uns brilham mais hoje, outros brilharão mais amanhã, outros terão um brilho eterno e outros nunca chegarão a brilhar.
Há notícias que nos devastam. Cada luz que se apaga faz-nos dar mais valor às que nos iluminam diariamente.
Um dia quando te apagaste, aliás fui assistindo à tua perda de luz diariamente, doeu de uma forma imensurável. Senti que iria acontecer. Ainda hoje dói. Falta pouco. Não preciso do dia nem nunca precisarei para me recordar de ti, basta-me um simples sorriso puro como o teu sempre foi. O sorriso que sempre me ofereceu e que me enchia de luz e me fazia sentir especial no seu coração.
Existe, aliás, não existirá, quem nem teve hipótese de inciar o seu brilho e optar pela cor que seria, mais quente ou mais fria (decididamente há momentos que não são faceis de transmitir em palavras). Mas só consigo imaginar lágrimas e lágrimas e a eterna pergunta que sempre fazemos quando algo corre mal.. Porquê? Porquê a mim?
Tenho no entanto esperança que tu venhas a brilhar. Não pode ser só escuridão. Tu terás que brilhar bolas!
Na vida todos nós brilhamos mais em determinadas ocasiões, aos nossos olhos e aos olhos dos outros. Por vezes, não vemos o nosso próprio brilho e no entanto quem nos rodeia sente-se iluminado apenas pela nossa presença. Podemos dar luz uns aos outros, conforto e mostrar que estamos cá para preencher aquele cantinho escuro. Se nos deram a hipótese de cá estar porquê desperdicá-la no escuro?
Sabem que falo da boca para fora. Falo sempre como gostaria de ser e como talvez um dia serei.
Fui apagando pessoas da minha vida, colocando-as no cantinho mais escondido da minha mente, mas o brilho de algumas é tão forte que ainda prevalece, mesmo após todos os meus esforços.
Brilhem, escolham a vossa cor, iluminem quem vos rodeia e mesmo que não esteja naquele momento do vosso lado existirá sempre alguém que não vos deixará apagar de vez...
sábado, 10 de dezembro de 2011
Lágrimas
"I need some distraction oh beautiful release
Memories seep from my veins
They may be empty and weightless and maybe
I'll find some peace tonight"
Estou a tentar encontrar as palavras para escrever mas simplesmente não consigo. Acho que nunca serão as certas. Também não têm que ser. Têm apenas que ser as minhas.
Existem certos dias cheios de agitação, em que parece que tudo o que torna a vida negra se dissipa por momentos. Mas o pior é que no final do dia tudo volta. Em dobro. Em triplo. Um peso demasiado grande para suportar.
Um dia gostaria de não chorar mais. Se o teclado fosse uma folha de papel não conseguiria ler uma unica palavra do que escrevo por entre as manchas provocadas por este desabafo...
Disseram-me que quem chora é fraco. Fraca sou então. Mas mais fraco ainda é quem não tem respeito pelo choro dos outros e parece que no fundo esconde uma secreta satisfação em provocá-lo. Perante tal situaçao, sentem-se mais fortes, mais seguros de si, sem no entanto saberem que um dia as suas lágrimas também irão cair e não existirá ninguém do seu lado.
Não sei o que fazer!!!
Tento converter os meus sentimentos. Tento mudar-me. Mas essa mudança parece-me tão distante quanto a humanização de certos indivíduos.
E simplemente volto para ti. Maldita tristeza que me persegues. Nem tudo o que me fizeste me afasta de ti. Se já me magoaste tanto porque não fujo de ti de vez? Ou melhor... Porque não te enfrento?
Todos os dias me pergunto e me tento convencer se é hoje o dia da mudança. Mas ainda não.
Distante, porém não impossível de alcançar. Assim como eu...
Memories seep from my veins
They may be empty and weightless and maybe
I'll find some peace tonight"
Estou a tentar encontrar as palavras para escrever mas simplesmente não consigo. Acho que nunca serão as certas. Também não têm que ser. Têm apenas que ser as minhas.
Existem certos dias cheios de agitação, em que parece que tudo o que torna a vida negra se dissipa por momentos. Mas o pior é que no final do dia tudo volta. Em dobro. Em triplo. Um peso demasiado grande para suportar.
Um dia gostaria de não chorar mais. Se o teclado fosse uma folha de papel não conseguiria ler uma unica palavra do que escrevo por entre as manchas provocadas por este desabafo...
Disseram-me que quem chora é fraco. Fraca sou então. Mas mais fraco ainda é quem não tem respeito pelo choro dos outros e parece que no fundo esconde uma secreta satisfação em provocá-lo. Perante tal situaçao, sentem-se mais fortes, mais seguros de si, sem no entanto saberem que um dia as suas lágrimas também irão cair e não existirá ninguém do seu lado.
Não sei o que fazer!!!
Tento converter os meus sentimentos. Tento mudar-me. Mas essa mudança parece-me tão distante quanto a humanização de certos indivíduos.
E simplemente volto para ti. Maldita tristeza que me persegues. Nem tudo o que me fizeste me afasta de ti. Se já me magoaste tanto porque não fujo de ti de vez? Ou melhor... Porque não te enfrento?
Todos os dias me pergunto e me tento convencer se é hoje o dia da mudança. Mas ainda não.
Distante, porém não impossível de alcançar. Assim como eu...
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Privação
Falta-me o que não sou. Falta-me o que queria ser. Falta-me descobrir o que quero ser..
Privada de mim mesma construi o que agora procuro destruir com passos de bebé. Destruir as minhas barreiras e quem sabe um dia voltar a sorrir.
Cada pedaço do meu telhado que desaba, fere-me, sem no entanto deixar marcas perceptiveis a quem me rodeia. Alias, há quem veja, e simplesmente me abrace e tente que o impacto não seja tão forte. Mas há igualmente quem abane a casa para que as telhas se soltem com mais facilidade e ainda arremesse uns tijolos.
Ao longo destes anos senti-me privada dos meus sonhos, das minhas vontades, sem no entanto percepcionar o porquê. Ainda não sei ao certo, mas talvez o medo de desiludir quem deu tudo por mim me tenha pressionado a um ponto de a menina "perfeita" ter por fim colapsado e não ser mais o motivo de orgulho.
Apontada como um exemplo, sem no entanto, verem através de mim o exemplo de frustração e de falta de objectivos que um dia seria.
Ao primeiro fracasso foram-se as forças. Não estava habituada a falhar. Tudo o que me satisfazia era unicamente ser a melhor na escola, porque a mais feia também seria de certeza no meu cérebro. Aquela cujo nome só procunciavam quando se tornava bem mais simples copiar do que simplesmente pensar.
E com o tempo tornei-me um deles, limitei-me a não investir em mim e nas minhas capacidades e entregar-me a ser apenas mais um a subsistir.
Só que existe uma enorme diferença entre viver e sobreviver. Sobrevivi mas desisti de viver e aos poucos perdi tudo a que alguma vez dei valor.
Mas sabem, ainda existe uma luz. Tenho uma lanterna bem velhinha que ilumina uma pequena saida.
Será que chego lá? Neste momento tenho consciência de que ainda não serei capaz.
Privada de mim, privei-me de tudo o que me completa. Privada do que me completa, privei-me da vida. Privada da vida, não evitei sofrer. Não me privando de sofrer, não evito chorar...
Privada de mim mesma construi o que agora procuro destruir com passos de bebé. Destruir as minhas barreiras e quem sabe um dia voltar a sorrir.
Cada pedaço do meu telhado que desaba, fere-me, sem no entanto deixar marcas perceptiveis a quem me rodeia. Alias, há quem veja, e simplesmente me abrace e tente que o impacto não seja tão forte. Mas há igualmente quem abane a casa para que as telhas se soltem com mais facilidade e ainda arremesse uns tijolos.
Ao longo destes anos senti-me privada dos meus sonhos, das minhas vontades, sem no entanto percepcionar o porquê. Ainda não sei ao certo, mas talvez o medo de desiludir quem deu tudo por mim me tenha pressionado a um ponto de a menina "perfeita" ter por fim colapsado e não ser mais o motivo de orgulho.
Apontada como um exemplo, sem no entanto, verem através de mim o exemplo de frustração e de falta de objectivos que um dia seria.
Ao primeiro fracasso foram-se as forças. Não estava habituada a falhar. Tudo o que me satisfazia era unicamente ser a melhor na escola, porque a mais feia também seria de certeza no meu cérebro. Aquela cujo nome só procunciavam quando se tornava bem mais simples copiar do que simplesmente pensar.
E com o tempo tornei-me um deles, limitei-me a não investir em mim e nas minhas capacidades e entregar-me a ser apenas mais um a subsistir.
Só que existe uma enorme diferença entre viver e sobreviver. Sobrevivi mas desisti de viver e aos poucos perdi tudo a que alguma vez dei valor.
Mas sabem, ainda existe uma luz. Tenho uma lanterna bem velhinha que ilumina uma pequena saida.
Será que chego lá? Neste momento tenho consciência de que ainda não serei capaz.
Privada de mim, privei-me de tudo o que me completa. Privada do que me completa, privei-me da vida. Privada da vida, não evitei sofrer. Não me privando de sofrer, não evito chorar...
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Expressão
Expressamo-nos...
Cada um à sua maneira. Uns dizem palavrões, outros engolem em seco e engasgam-se na sua própria angústia, uns mandam coisas contra a parede, outros choram sem parar, uns riem de nervosismo, outros simplesmente paralisam e guardam tudo o que sentem.
Guardam num local que pensam estar fechado a sete chaves, mas que o mais reles dos ladrões abriria apenas com um simples alfinete. Porque a forma de abrir é muito simples, basta tocar em certos pontos que automaticamente aquela caixa onde estão guardadas as memórias a curto e longo prazo, se abre sem combinação alguma.
Gostaria de descobrir a combinação do meu cofre. Assim ninguem lhe iria mexer, nem eu mesma. São pontos fracos. Estes deveriam enfraquecer de dia para dia. Não deveriam meramente esperar o dia mais apropriado para se tornarem nos pontos fulcrais para nos destruirem.
Guardar tudo o que sentimos ao longo dos anos é algo que nos corroi. Algo que nos destroi. Criam-se expectativas de que vai ser a ultima vez que iremos ser afrontados e puramente humilhados. E essas expectativas fazem-nos parar, respirar e não responder. Falo por mim. Não falo por vocês.
Tudo o que partlho vem do coração, e não, tanto quanto deveria da razão. Não pretendo julgar ninguem, não pretendo que me julgem. Apenas quero ter a liberdade de me expressar como nunca tive coragem de o fazer em 24 anos de existência.
Hoje em dia se uma criança se movimenta mais do que as outras é hiperactiva. Sim, poderá eventualmente ser.
Há uns anos atrás, se uma criança era tratada como lixo pelos seus pares, era apenas uma maneira de crescer, de se tornar forte e responder de igual forma. Hoje é bulling. É de uma crueldade enorme e indiferença não agir perante tamanha atrocidade. As consequências ficam porque esses pequenos cidadãos do mundo pensam ainda não ter voz activa, sem saberem que no entanto têm tanto a dizer.
Os tempos mudam, as expressões também mas quem passa ou passou por elas sente exactamente o mesmo.
Uma incapacidade de gritar ao mundo o quanto gostaria de ser apenas mais um e não aquele um. Aquele um que na sua mente não se enquadra na sociedade e se perde nas imoralidades e na falta de etica da mesma.
Não encontro melhor forma de terminar mais esta minha libertação do que esta simples frase. Singela, mas é o meu desejo para todos vós. Para quem o faz e para quem como eu deseja aprender a fazê-lo e alcançar com a expressão a liberdade...
"Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las."
Voltaire
Cada um à sua maneira. Uns dizem palavrões, outros engolem em seco e engasgam-se na sua própria angústia, uns mandam coisas contra a parede, outros choram sem parar, uns riem de nervosismo, outros simplesmente paralisam e guardam tudo o que sentem.
Guardam num local que pensam estar fechado a sete chaves, mas que o mais reles dos ladrões abriria apenas com um simples alfinete. Porque a forma de abrir é muito simples, basta tocar em certos pontos que automaticamente aquela caixa onde estão guardadas as memórias a curto e longo prazo, se abre sem combinação alguma.
Gostaria de descobrir a combinação do meu cofre. Assim ninguem lhe iria mexer, nem eu mesma. São pontos fracos. Estes deveriam enfraquecer de dia para dia. Não deveriam meramente esperar o dia mais apropriado para se tornarem nos pontos fulcrais para nos destruirem.
Guardar tudo o que sentimos ao longo dos anos é algo que nos corroi. Algo que nos destroi. Criam-se expectativas de que vai ser a ultima vez que iremos ser afrontados e puramente humilhados. E essas expectativas fazem-nos parar, respirar e não responder. Falo por mim. Não falo por vocês.
Tudo o que partlho vem do coração, e não, tanto quanto deveria da razão. Não pretendo julgar ninguem, não pretendo que me julgem. Apenas quero ter a liberdade de me expressar como nunca tive coragem de o fazer em 24 anos de existência.
Hoje em dia se uma criança se movimenta mais do que as outras é hiperactiva. Sim, poderá eventualmente ser.
Há uns anos atrás, se uma criança era tratada como lixo pelos seus pares, era apenas uma maneira de crescer, de se tornar forte e responder de igual forma. Hoje é bulling. É de uma crueldade enorme e indiferença não agir perante tamanha atrocidade. As consequências ficam porque esses pequenos cidadãos do mundo pensam ainda não ter voz activa, sem saberem que no entanto têm tanto a dizer.
Os tempos mudam, as expressões também mas quem passa ou passou por elas sente exactamente o mesmo.
Uma incapacidade de gritar ao mundo o quanto gostaria de ser apenas mais um e não aquele um. Aquele um que na sua mente não se enquadra na sociedade e se perde nas imoralidades e na falta de etica da mesma.
Não encontro melhor forma de terminar mais esta minha libertação do que esta simples frase. Singela, mas é o meu desejo para todos vós. Para quem o faz e para quem como eu deseja aprender a fazê-lo e alcançar com a expressão a liberdade...
"Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las."
Voltaire
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Noite estrelada
"And he dreamed yet another dream, and told it his brethren, and said, Behold, I have dreamed a dream more; and, behold, the sun and the moon and the eleven stars made obeisance to me."
Vincent van Gogh
Simplesmente adoro esta pintura. Perco-me nos tons, nas espirais, na pequena civilização ao canto, e na negra "torre" que se ergue.
Toca-me, leva-me a locais nunca por mim alcançados, não necessariamente bons e satisfatórios, mas meus.
Os tons que se completam como a vida se deveria completar, dia após dia, e não perder pedaços que um dia foram tão importantes. Mas sim, a isso chama-se crescer.
Espirais nunca soube explicar o porquê de as desenhar sem parar nos cadernos da escola. As minhas colegas desenhavam corações, estrelas, escreviam o nome dos principes encantados (não existem) e eu espirais..
Fascinam-me, envolvem-me, talvez por saber que se as continuasse a desenhar não alcançaria o seu fim, mas unicamente o desfecho de mais uma divagação efectuada em torno de um pedaço de papel.
A pequena civilização ao canto é simples. Por mais pequeno que seja o local onde me encontro e encontrarei vou sempre sentir que ha pessoas a mais, olhos a mais a avaliarem-me. Um pouco de fobia social eu sei e vergonha de existir enquanto não descurtinar o porquê de tantas provações.
A negra "torre" que se destaca sou eu. Eu que me encaro como a escuridão que transforma a mais bela das pinturas, um belo dia de sol, em algo negativo.
Os meus olhos não permitem apenas apreciar a beleza...
Neste momento é o que mais desejo, ver luz!
E não só, olhar para este bela pintura e em vez de interpreta-la, apenas admira-la como uma elevação da mais pura beleza. Simplesmente beleza. Nada mais.
Quero perder-me e encontrar o caminho de volta...
Vincent van Gogh
Simplesmente adoro esta pintura. Perco-me nos tons, nas espirais, na pequena civilização ao canto, e na negra "torre" que se ergue.
Toca-me, leva-me a locais nunca por mim alcançados, não necessariamente bons e satisfatórios, mas meus.
Os tons que se completam como a vida se deveria completar, dia após dia, e não perder pedaços que um dia foram tão importantes. Mas sim, a isso chama-se crescer.
Espirais nunca soube explicar o porquê de as desenhar sem parar nos cadernos da escola. As minhas colegas desenhavam corações, estrelas, escreviam o nome dos principes encantados (não existem) e eu espirais..
Fascinam-me, envolvem-me, talvez por saber que se as continuasse a desenhar não alcançaria o seu fim, mas unicamente o desfecho de mais uma divagação efectuada em torno de um pedaço de papel.
A pequena civilização ao canto é simples. Por mais pequeno que seja o local onde me encontro e encontrarei vou sempre sentir que ha pessoas a mais, olhos a mais a avaliarem-me. Um pouco de fobia social eu sei e vergonha de existir enquanto não descurtinar o porquê de tantas provações.
A negra "torre" que se destaca sou eu. Eu que me encaro como a escuridão que transforma a mais bela das pinturas, um belo dia de sol, em algo negativo.
Os meus olhos não permitem apenas apreciar a beleza...
Neste momento é o que mais desejo, ver luz!
E não só, olhar para este bela pintura e em vez de interpreta-la, apenas admira-la como uma elevação da mais pura beleza. Simplesmente beleza. Nada mais.
Quero perder-me e encontrar o caminho de volta...
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Raiva
Sinto raiva..
Este sentimento de protesto, frustração que se exterioriza quando o ego se sente ferido ou ameaçado.
O meu está ferido há tanto tempo, e no entanto nunca consegui deitar cá para fora o que me corroi.
Disse à poucos dias atrás à palavra odeio-te e esta foi pela primeira vez verdadeiramente sentida. Julgar-me sem me conhecer? Não permito isso a ninguém. Ainda para mais vindo de ti que ao longo dos anos não estiveste lá... Nunca, mas nunca, estiveste para mim.
Mas não és o unico, a ti não sei se odeio mas simplesmente desprezo a tua falsa inocência, e as histórias que constrois para camuflar nos outros as deficiências de caracter que tens.
Odeio-me a mim por ao longo dos anos me ter limitado a aceitar tudo o que me diziam. Não me defender. Acatar e baixar o olhar. Não construir defesas e hoje ser como sou.
Verdadeira mas cheia de cicatrizes. Em todos os tipos de lugares inesperados. Estas são o mapa secreto das nossas velhas feridas e das histórias que compõem a nossa identidade.
Não digo contudo que as feridas não possam sarar, mas a cicatriz essa fica lá. Podemos carrega-las connosco ao longo dos anos, dos lugares, e a dor acompanhar-nos como uma sombra.
Mas talvez velhas feridas nos ensinem algo. Elas nos lembram onde estivemos e o que superamos. Nos ensinam lições sobre o que evitar no futuro.
Por isso a partir de hoje vou fechar pessoas no meu caminho, não abrir a minha barreira e se necessário enterrá-las. E vou fazer questão de deitar o ultimo punhado de terra...
É como eu quero pensar agora! Embora, sendo sincera ainda não consigo..
Este sentimento de protesto, frustração que se exterioriza quando o ego se sente ferido ou ameaçado.
O meu está ferido há tanto tempo, e no entanto nunca consegui deitar cá para fora o que me corroi.
Disse à poucos dias atrás à palavra odeio-te e esta foi pela primeira vez verdadeiramente sentida. Julgar-me sem me conhecer? Não permito isso a ninguém. Ainda para mais vindo de ti que ao longo dos anos não estiveste lá... Nunca, mas nunca, estiveste para mim.
Mas não és o unico, a ti não sei se odeio mas simplesmente desprezo a tua falsa inocência, e as histórias que constrois para camuflar nos outros as deficiências de caracter que tens.
Odeio-me a mim por ao longo dos anos me ter limitado a aceitar tudo o que me diziam. Não me defender. Acatar e baixar o olhar. Não construir defesas e hoje ser como sou.
Verdadeira mas cheia de cicatrizes. Em todos os tipos de lugares inesperados. Estas são o mapa secreto das nossas velhas feridas e das histórias que compõem a nossa identidade.
Não digo contudo que as feridas não possam sarar, mas a cicatriz essa fica lá. Podemos carrega-las connosco ao longo dos anos, dos lugares, e a dor acompanhar-nos como uma sombra.
Mas talvez velhas feridas nos ensinem algo. Elas nos lembram onde estivemos e o que superamos. Nos ensinam lições sobre o que evitar no futuro.
Por isso a partir de hoje vou fechar pessoas no meu caminho, não abrir a minha barreira e se necessário enterrá-las. E vou fazer questão de deitar o ultimo punhado de terra...
É como eu quero pensar agora! Embora, sendo sincera ainda não consigo..
sábado, 3 de dezembro de 2011
Arco-íris
"Somewhere over the rainbow
Blue birds fly
And the dreams that you dream of
Dreams really do come true"
Sempre gostei da letra desta musica. Há anos que me esforço por me rever na sua idílica simplicidade e leveza.
Onde raio está o arco-íris que eu não o vejo? Será que não existe? Ou simplesmente não estou à procura no local certo.
Talvez as cores tenham perdido a sua vivacidade, e eu que me encontro no escuro recuso-me a acender um simples fósforo e iluminar o que me rodeia.
O preto é a ausência de luz, a ausência de esperança, de optimismo, de vida! Que vida negra a minha. Há dias em que simplesmente não deixo a luz entrar, e não apenas no sentido figurativo. Fecho-me, isolo-me e penso que tudo é mais simples assim.
No fundo, sinto que a ausência de luz poderá ser mais simples de encarar. E sou fraca, refugio-me e quando querem abrir uma janela eu não deixo. Ganho forças, para lutar contra a luminosidade e no entanto não encontro forças para abrir os estores. A luz ofusca-me. Como explicar, despoleta em mim tal quantidade de sensações que me corrompem o espírito e vidram o olhar.
Falemos da cor branca. Esta resulta da sobreposição de todas as cores primárias, que por sua vez podem ser decompostas em todas as cores por meio de um prisma, originando o tão afamado e ansiado arco-íris.
Tão "simples" como a vida. Esta resulta da sobreposição de momentos, experiências, memórias, sofrimento, e dor... Sim, tenho consciência que estou a ser extremamente negativista. Mas se a vida resulta de tudo isto e somos capazes de a decompor e descurtinar o que nos moldou, porque não encontro o maldito arco-íris. Falta-me o prisma. És tu? São vocês? Não, sou eu...
Vá mostra-te! Dá-me uma pista de onde estás. Se não dor pedir muito, quero o atalho porque as forças já me faltam para a caminhada da vida. São muitos passos, e até agora, sinto que não saí da escuridão.
Quero ver os pássaros azuis..
Mentira, quero ver as borboletas com asas...
Blue birds fly
And the dreams that you dream of
Dreams really do come true"
Sempre gostei da letra desta musica. Há anos que me esforço por me rever na sua idílica simplicidade e leveza.
Onde raio está o arco-íris que eu não o vejo? Será que não existe? Ou simplesmente não estou à procura no local certo.
Talvez as cores tenham perdido a sua vivacidade, e eu que me encontro no escuro recuso-me a acender um simples fósforo e iluminar o que me rodeia.
O preto é a ausência de luz, a ausência de esperança, de optimismo, de vida! Que vida negra a minha. Há dias em que simplesmente não deixo a luz entrar, e não apenas no sentido figurativo. Fecho-me, isolo-me e penso que tudo é mais simples assim.
No fundo, sinto que a ausência de luz poderá ser mais simples de encarar. E sou fraca, refugio-me e quando querem abrir uma janela eu não deixo. Ganho forças, para lutar contra a luminosidade e no entanto não encontro forças para abrir os estores. A luz ofusca-me. Como explicar, despoleta em mim tal quantidade de sensações que me corrompem o espírito e vidram o olhar.
Falemos da cor branca. Esta resulta da sobreposição de todas as cores primárias, que por sua vez podem ser decompostas em todas as cores por meio de um prisma, originando o tão afamado e ansiado arco-íris.
Tão "simples" como a vida. Esta resulta da sobreposição de momentos, experiências, memórias, sofrimento, e dor... Sim, tenho consciência que estou a ser extremamente negativista. Mas se a vida resulta de tudo isto e somos capazes de a decompor e descurtinar o que nos moldou, porque não encontro o maldito arco-íris. Falta-me o prisma. És tu? São vocês? Não, sou eu...
Vá mostra-te! Dá-me uma pista de onde estás. Se não dor pedir muito, quero o atalho porque as forças já me faltam para a caminhada da vida. São muitos passos, e até agora, sinto que não saí da escuridão.
Quero ver os pássaros azuis..
Mentira, quero ver as borboletas com asas...
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
Futuro
Escrevo sobre o futuro porque simplesmente me interrogo sobre o mesmo.
Se o presente se apresenta como um castelo de cartas que desaba ao mínimo movimento, ao mais leve sopro de vida, porque não menospreza-lo e questionar o que por ai virá.
Toda a nossa vida nos preocupamos com o futuro, fazemos planos, criamos expectativas. Tentamos prever o futuro, na nossa bola de cristal. Na minha não consigo ver nada. Estará avariada? Não. Simplesmente o meu turbilhão de pensamentos perturba o meu discernimento.
Mas existe um pequeno detalhe, pequeno do tamanho do universo. O futuro está em constante mutação, apenas porque nós, simples peças de xadrez no tabuleiro da vida nos movimentamos e alteramos o jogo.
Somos peões e cada jogada, meticulosamente elaborada ou apenas por mero impulso, revelará as suas consequências.
"O futuro é o lar dos nossos medos mais profundos e das nossas maiores esperanças." Para mim, não existe melhor definição para o futuro. Esta é a minha, certamente terão a vossa.
Só vejo medo no meu futuro. Esperança perdi-a à medida que perdi o amor por mim. Se alguém o encontrar por favor devolva à precedência.
Receio o que por aí virá, no entanto não consigo evitar imagina-lo. Vejo um beco sem saida. Ou terá alguma e neste momento não a consido descortinar?
No entanto, algo assumo como certo..
Quando o futuro finalmente se revelar, nunca será como imaginamos. Melhor, pior, ou simplesmente diferente, será meu, teu e de toda a gente...
Se o presente se apresenta como um castelo de cartas que desaba ao mínimo movimento, ao mais leve sopro de vida, porque não menospreza-lo e questionar o que por ai virá.
Toda a nossa vida nos preocupamos com o futuro, fazemos planos, criamos expectativas. Tentamos prever o futuro, na nossa bola de cristal. Na minha não consigo ver nada. Estará avariada? Não. Simplesmente o meu turbilhão de pensamentos perturba o meu discernimento.
Mas existe um pequeno detalhe, pequeno do tamanho do universo. O futuro está em constante mutação, apenas porque nós, simples peças de xadrez no tabuleiro da vida nos movimentamos e alteramos o jogo.
Somos peões e cada jogada, meticulosamente elaborada ou apenas por mero impulso, revelará as suas consequências.
"O futuro é o lar dos nossos medos mais profundos e das nossas maiores esperanças." Para mim, não existe melhor definição para o futuro. Esta é a minha, certamente terão a vossa.
Só vejo medo no meu futuro. Esperança perdi-a à medida que perdi o amor por mim. Se alguém o encontrar por favor devolva à precedência.
Receio o que por aí virá, no entanto não consigo evitar imagina-lo. Vejo um beco sem saida. Ou terá alguma e neste momento não a consido descortinar?
No entanto, algo assumo como certo..
Quando o futuro finalmente se revelar, nunca será como imaginamos. Melhor, pior, ou simplesmente diferente, será meu, teu e de toda a gente...
Velocidade
Velocidade. A distância percorrida por um corpo num determinado intervalo temporal.
Não, nada disto me interessa. Não me motiva a mecânica clássica. Motiva-me sim, a fisiologia do cérebro e o que o mesmo é capaz de gerar.
De dia para dia, sinto-me a aumentar a velocidade.
A velocidade dos meus pensamentos, da elaboração de simples frases que proliferam de tal forma que se atropelam, e tentam até fazer ultrapassagens. Mas são barradas, barrados, como preferirem.
As barreiras existem e por alguma maneira as temos. Para nos impedirem de excedermos o limite de velocidade e embatermos num muro.
Uma simples lomba nos faz abrandar, e é simplesmente como um aviso. Não vás tão depressa, aproveita cada instante. E abrandamos, pensamos, reagimos e se necessário voltamos para trás ou seguimos a pé numa caminhada solitária mas plena. Evitamos embates...
E sinceramente, de que importa uma simples amolgadela, se por dentro de nós, ao mesmo tempo, e sem que ninguém entenda, está a ocorrer uma hemorragia interna. Não em sentido literário, é claro. Mas dói, dói demais.
Se me derem a receita mágica para estancar essa ferida eu dou 1 milhão! Não, não tenho.
Mas daria tudo o que tenho para dar que é somente o que sou. Ou gostam desta mente perturbada e velocista ou simplesmente não.
Cansa correr. Cansa ser atropelada. E cansa ainda mais saber que seja qual a velocidade que atinja essa "nunca" será suficiente para alcançar o que realmente anseio (nunca umas aspas significaram tanto numa frase para mim).
Mas que posso fazer se simplesmente adoro precipitar-me e sentir a velocidade...
Vou acelerar mais um pouco...
Não, nada disto me interessa. Não me motiva a mecânica clássica. Motiva-me sim, a fisiologia do cérebro e o que o mesmo é capaz de gerar.
De dia para dia, sinto-me a aumentar a velocidade.
A velocidade dos meus pensamentos, da elaboração de simples frases que proliferam de tal forma que se atropelam, e tentam até fazer ultrapassagens. Mas são barradas, barrados, como preferirem.
As barreiras existem e por alguma maneira as temos. Para nos impedirem de excedermos o limite de velocidade e embatermos num muro.
Uma simples lomba nos faz abrandar, e é simplesmente como um aviso. Não vás tão depressa, aproveita cada instante. E abrandamos, pensamos, reagimos e se necessário voltamos para trás ou seguimos a pé numa caminhada solitária mas plena. Evitamos embates...
E sinceramente, de que importa uma simples amolgadela, se por dentro de nós, ao mesmo tempo, e sem que ninguém entenda, está a ocorrer uma hemorragia interna. Não em sentido literário, é claro. Mas dói, dói demais.
Se me derem a receita mágica para estancar essa ferida eu dou 1 milhão! Não, não tenho.
Mas daria tudo o que tenho para dar que é somente o que sou. Ou gostam desta mente perturbada e velocista ou simplesmente não.
Cansa correr. Cansa ser atropelada. E cansa ainda mais saber que seja qual a velocidade que atinja essa "nunca" será suficiente para alcançar o que realmente anseio (nunca umas aspas significaram tanto numa frase para mim).
Mas que posso fazer se simplesmente adoro precipitar-me e sentir a velocidade...
Vou acelerar mais um pouco...
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Confusão
Mas que dia...
Mas que confusão mental que me assaltou. Apareceu, nem me deu tempo de reagir e bem depressa me rendi. Também não lutei. Lutar cansa, e é apenas mais uma batalha pertida, no meio desta guerra sem tréguas diária.
Começo por ser pisada, digo mesmo pontapeada, e nem ao verem as lagrimas a cair e o sangue a derramar param. Não irão parar porque infelizmente o sofrimento de uns, é simplesmente a ilusão de felicidade de outros.
Mas que gente, mas que gente desprovida de qualquer bondade ou simplesmente vida se dá ao luxo de existir? Por favor, desapareçam. O mundo seria tão belo sem vocês.
Podem achar que eu sou cruel e que estou a escrever por ainda estar no chão e não me levantar, mas apenas falo do coração. Ele tem andado tão falador, não me larga. Eu peço-lhe distância e ele decide ainda ocupar mais espaço nos meus pensamentos e acções.
Deixas-me um pouco? Enquanto não deixares a razão não irá ter espaço para invadir o meu mundo. Cada um tem o seu. Uns mais negros, outros mais coloridos, outros mais simples, outros mais complicados, uns mais festivos, outros simplesmente mórbidos.
Eu sei qual é o meu mundo.
Sei em qual já vivi, sei no qual vivo e nem quero sequer pensar no que por aí virá.
Mas no meio da escuridão, e na exaustão de ser humilhada, vejo umas mãos. Apoio-me um pouco aqui, um pouco ali e estou de joelhos. Um pequeno passo para uns, um passo enorme para mim.
Acho, alias tenho a certeza que ainda não é hoje que me vou erguer e olhar o mundo de frente. Sempre me disseram que não olho nada de frente e que o meu olhar se fixa no chão. Mas é mais fácil assim. O chão é apenhas chão, plano, com inclinação, mas chão.. As pessoas não são apenas pessoas. Não são planas e à minima inclinação caem e levam alguém com elas. Uns erguem-se mais depressa, outros nem se erguem e outros fingem que estão no chão apenas para quererem a pena de alguém. Se soubessem como é triste sentir que têm pena de nós. Antes da pena podem vir tantos outros sentimentos. Encaro a pena não apenas como um sentimento, mas como a consequência de outros tantos e tão mais elevados gestos de carinho, com ou sem resposta.
Não sou imune à pena, não sou imune às quedas, e sobretudo não sou imune à confusão...
Mas que confusão mental que me assaltou. Apareceu, nem me deu tempo de reagir e bem depressa me rendi. Também não lutei. Lutar cansa, e é apenas mais uma batalha pertida, no meio desta guerra sem tréguas diária.
Começo por ser pisada, digo mesmo pontapeada, e nem ao verem as lagrimas a cair e o sangue a derramar param. Não irão parar porque infelizmente o sofrimento de uns, é simplesmente a ilusão de felicidade de outros.
Mas que gente, mas que gente desprovida de qualquer bondade ou simplesmente vida se dá ao luxo de existir? Por favor, desapareçam. O mundo seria tão belo sem vocês.
Podem achar que eu sou cruel e que estou a escrever por ainda estar no chão e não me levantar, mas apenas falo do coração. Ele tem andado tão falador, não me larga. Eu peço-lhe distância e ele decide ainda ocupar mais espaço nos meus pensamentos e acções.
Deixas-me um pouco? Enquanto não deixares a razão não irá ter espaço para invadir o meu mundo. Cada um tem o seu. Uns mais negros, outros mais coloridos, outros mais simples, outros mais complicados, uns mais festivos, outros simplesmente mórbidos.
Eu sei qual é o meu mundo.
Sei em qual já vivi, sei no qual vivo e nem quero sequer pensar no que por aí virá.
Mas no meio da escuridão, e na exaustão de ser humilhada, vejo umas mãos. Apoio-me um pouco aqui, um pouco ali e estou de joelhos. Um pequeno passo para uns, um passo enorme para mim.
Acho, alias tenho a certeza que ainda não é hoje que me vou erguer e olhar o mundo de frente. Sempre me disseram que não olho nada de frente e que o meu olhar se fixa no chão. Mas é mais fácil assim. O chão é apenhas chão, plano, com inclinação, mas chão.. As pessoas não são apenas pessoas. Não são planas e à minima inclinação caem e levam alguém com elas. Uns erguem-se mais depressa, outros nem se erguem e outros fingem que estão no chão apenas para quererem a pena de alguém. Se soubessem como é triste sentir que têm pena de nós. Antes da pena podem vir tantos outros sentimentos. Encaro a pena não apenas como um sentimento, mas como a consequência de outros tantos e tão mais elevados gestos de carinho, com ou sem resposta.
Não sou imune à pena, não sou imune às quedas, e sobretudo não sou imune à confusão...
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