"I got lost out there in this world
Looking for a brand new way to fall down
It's no surprise that things gotten worse
And I think God never let me drown
I didn't have to lie to myself for so long
I didn't have to let myself get so far gone
I didn't have to make the ones I love feel so alone
I didn't have to die to go to heaven - I just had to go home
While I was having the time of my life
I think my soul died a little every day
I always called to say I'm sorry
You said it's okay
But you should be through it all - you never walked away
But I didn't have to lie to myself for so long
I didn't have to let myself get so far gone
I didn't have to make the ones I love feel so alone
I didn't have to die to go to heaven - I just had to go home
Into the arms of my angel
Into the peace I left behind
All I had to do to save my own life
Was to look into your eyes"
O sol tem estado radiante dizem eles... Não sei. Não faço ideia. Não o tenho deixado entrar.
Como encaro o sol se não quero ver o céu negro que me persegue?! Não, não vejo o sol, limito-me a imaginar como seria se o mesmo se despisse da escuridão com que se apresenta aos meus olhos.
Poderia, assim como grande parte das pessoas, fazer a ligação entre céu e paraíso. Se assim for a minha incapacidade de acreditar no paraíso relaciona-se com o facto de o meu céu não ser mais aquele que desenhava em pequenina.
Agora que penso nisso uma nostalgia invade-me. Recordo-me de os meus desenhos serem o espelho da simplicidade e inocência de um olhar de uma criança sobre o mundo. Não resisto à descrição dos mesmos.
Céu azul, nuvens brancas e gordinhas, várias andorinhas, uma casa com um telhado vermelho triangular cuja chaminé deitava fundo, umas arvores redondinhas e verdes e por fim o mais importante, uma familia sempre com um sorriso no rosto... Eu, a minha mãe e o meu irmão. Por momentos sorri, ao recordar-me destes momentos que se haviam perdido no esquecimento.
Os anos passam e se tivesse que desenhar o que tenho neste momento, deixaria a folha em branco porque não posso e não quero denegrir as minhas memorias do passado, limpas e puras, com a desilusão do presente.
Escrevo com a perfeita noção que por vezes, muitas vezes, perco-me a divagar e acabo por não ter as respostas que procuro e apenas aumentar a quantidade infindável de perguntas que me perseguem.
No interior desta rapariga fraca que vos escreve, ainda resta alguma, porém pouca, esperança de ver o céu com a vivacidade que o mesmo deve ter e sorrir porque o mesmo está apenas à distância de um olhar...
Aos olhos de quem nos ama e quer ver o céu a nosso lado, revela-se num olhar o que se fecha no coração...
ps. O meu olhar mostrava o que eu não queria aceitar.
"A escrita é a pintura da voz." Nada descreveria melhor a minha relação com as palavras. Por isso irei gastar toda a minha tinta até que a voz me doa..
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Escolhas
Onde anda o sono? Talvez perdido no meio deste labirinto de pensamentos que me consome e me perturba!
Penso em escolhas que fiz e nas que ainda pretendo fazer. Nas escolhas certas, nas escolhas erradas...
Pretendo não será a palavra correcta uma vez que nunca gostei de tomar decisões. Se eu escolher a peça de roupa branca quem me garante que não será a preta que me irá fazer feliz? Ninguém. Pois ninguém tem o dom de prever o futuro e descortinar o poder de uma escolha.
A incerteza de uma escolha tranforma-se na ansiedade de uma decisão adiada..
Uma amiga hoje disse-me que há uns anos atrás me "viu". Eu já nem me recordava desse momento. Foi um momento de escolhas. Uma conversa reveladora que ficou marcada na sua memória. Tens-me ajudado muito. A pergunta dos 70 anos talvez tenha sido decisiva.
"De um e outro lado do que sou,
da luz e da obscuridade,
do ouro e do pó,
ouço pedirem-me que escolha;
e deixe para trás a inquietação,
a dor,
um peso de não sei que ansiedade.
Mas levo comigo tudo
o que recuso. Sinto
colar-se-me às costas
um resto de noite;
e não sei voltar-me
para a frente, onde
amanhece."
E esta é a verdade...
Na vida escolhemos quem fica e vai... Os sentimentos que ficam e os que se perdem no tempo... Aceitar ou negar... Lutar ou desistir...
Temos a liberdade de escolher e a obrigação de encarar as inevitáveis consequências... E desta forma crecer!
Penso em escolhas que fiz e nas que ainda pretendo fazer. Nas escolhas certas, nas escolhas erradas...
Pretendo não será a palavra correcta uma vez que nunca gostei de tomar decisões. Se eu escolher a peça de roupa branca quem me garante que não será a preta que me irá fazer feliz? Ninguém. Pois ninguém tem o dom de prever o futuro e descortinar o poder de uma escolha.
A incerteza de uma escolha tranforma-se na ansiedade de uma decisão adiada..
Uma amiga hoje disse-me que há uns anos atrás me "viu". Eu já nem me recordava desse momento. Foi um momento de escolhas. Uma conversa reveladora que ficou marcada na sua memória. Tens-me ajudado muito. A pergunta dos 70 anos talvez tenha sido decisiva.
"De um e outro lado do que sou,
da luz e da obscuridade,
do ouro e do pó,
ouço pedirem-me que escolha;
e deixe para trás a inquietação,
a dor,
um peso de não sei que ansiedade.
Mas levo comigo tudo
o que recuso. Sinto
colar-se-me às costas
um resto de noite;
e não sei voltar-me
para a frente, onde
amanhece."
E esta é a verdade...
Na vida escolhemos quem fica e vai... Os sentimentos que ficam e os que se perdem no tempo... Aceitar ou negar... Lutar ou desistir...
Temos a liberdade de escolher e a obrigação de encarar as inevitáveis consequências... E desta forma crecer!
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Primavera
"Sábado à noite não sou tão só
Somente só
A sós contigo assim
E sei dos teus erros
Os meus e os teus
Os teus e os meus amores que não conheci
Parasse a vida
Um passo atrás
Quis-me capaz
Dos erros renascer em ti
E se inventado, o teu sorriso for
Fui inventor
Criei o paraíso assim
Algo me diz que há mais amor aqui
Lá fora só menti
Eu já fui de cool por aí
Somente só, só minto só
Hei-de te amar, ou então hei-de chorar por ti
Mesmo assim, quero ver te sorrir...
E se perder vou tentar esquecer-me de vez, conto até três
Se quiser ser feliz...
Se há tulipas
No teu jardim
Serei o chão e a água que da chuva cai
Para te fazer crescer em flor, tão viva a cor
Meu amor eu sou tudo aqui...
Sábado à noite não sou tão só
Somente só
A sós contigo assim
Não sou tão só, somente só"
Esta é unica vez em que decidi colocar um poema de amor no meu "confessionário". Prefiro não falar de amor. Prefiro não falar do que não conheço totalmente.
Mas instintivamente ao ouvir esta musica, e sobretudo esta letra, todos os sentimentos afloram descontroladamente e sou envolvida numa confusão sensorial indiscritível.
Fico por aqui hoje. Sinto que não completei o meu discurso mas incompleta é como me sinto sem a "minha pessoa"...
Somente só
A sós contigo assim
E sei dos teus erros
Os meus e os teus
Os teus e os meus amores que não conheci
Parasse a vida
Um passo atrás
Quis-me capaz
Dos erros renascer em ti
E se inventado, o teu sorriso for
Fui inventor
Criei o paraíso assim
Algo me diz que há mais amor aqui
Lá fora só menti
Eu já fui de cool por aí
Somente só, só minto só
Hei-de te amar, ou então hei-de chorar por ti
Mesmo assim, quero ver te sorrir...
E se perder vou tentar esquecer-me de vez, conto até três
Se quiser ser feliz...
Se há tulipas
No teu jardim
Serei o chão e a água que da chuva cai
Para te fazer crescer em flor, tão viva a cor
Meu amor eu sou tudo aqui...
Sábado à noite não sou tão só
Somente só
A sós contigo assim
Não sou tão só, somente só"
Esta é unica vez em que decidi colocar um poema de amor no meu "confessionário". Prefiro não falar de amor. Prefiro não falar do que não conheço totalmente.
Mas instintivamente ao ouvir esta musica, e sobretudo esta letra, todos os sentimentos afloram descontroladamente e sou envolvida numa confusão sensorial indiscritível.
Fico por aqui hoje. Sinto que não completei o meu discurso mas incompleta é como me sinto sem a "minha pessoa"...
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Sofro
"Onde é que dói na minha vida,
para que eu me sinta tão mal?
quem foi que me deixou ferida
de ferimento tão mortal?
Eu parei diante da paisagem:
e levava uma flor na mão.
Eu parei diante da paisagem
procurando um nome de imagem
para dar à minha canção.
Nunca existiu sonho tão puro
como o da minha timidez.
Nunca existiu sonho tão puro,
nem também destino tão duro
como o que para mim se fez.
Estou caída num vale aberto,
entre serras que não têm fim.
Estou caída num vale aberto:
nunca ninguém passará perto,
nem terá notícias de mim.
Eu sinto que não tarda a morte,
e só há por mim esta flor;
eu sinto que não tarda a morte
e não sei como é que suporte
tanta solidão sem pavor.
E sofro mais ouvindo um rio
que ao longe canta pelo chão,
que deve ser límpido e frio,
mas sem dó nem recordação,
como a voz cujo murmúrio
morrerá com o meu coração..."
Cecília Meireles, in 'Viagem'
Em silêncio sofro e assim continuarei, por isso procuro nas palavras de uma poetisa um sentimento partilhado e no fundo um pouco de compreensão...
para que eu me sinta tão mal?
quem foi que me deixou ferida
de ferimento tão mortal?
Eu parei diante da paisagem:
e levava uma flor na mão.
Eu parei diante da paisagem
procurando um nome de imagem
para dar à minha canção.
Nunca existiu sonho tão puro
como o da minha timidez.
Nunca existiu sonho tão puro,
nem também destino tão duro
como o que para mim se fez.
Estou caída num vale aberto,
entre serras que não têm fim.
Estou caída num vale aberto:
nunca ninguém passará perto,
nem terá notícias de mim.
Eu sinto que não tarda a morte,
e só há por mim esta flor;
eu sinto que não tarda a morte
e não sei como é que suporte
tanta solidão sem pavor.
E sofro mais ouvindo um rio
que ao longe canta pelo chão,
que deve ser límpido e frio,
mas sem dó nem recordação,
como a voz cujo murmúrio
morrerá com o meu coração..."
Cecília Meireles, in 'Viagem'
Em silêncio sofro e assim continuarei, por isso procuro nas palavras de uma poetisa um sentimento partilhado e no fundo um pouco de compreensão...
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Caminhos
Ultimo dia do mês.
Os dias passam e nada muda. Alias muito muda mas nada para melhor...
Mais me fecho, mais medo tenho, mais me apercebo que sou diferente. Mas na verdade somos todos.
Não acredito quando dizem que não há pessoas melhores umas que as outras. Há sim!
Existem pessoas sem o mínimo caracter, a minima consideração, a minima etica, a minima coragem, a minima vida dentro delas.
Viver tem que ser em sociedade, senão para que serviriam as palavras, os gestos, os olhares. Para comunicar, transmitir sentimentos, transmitir que queremos ligar-nos a alguem.
Tento não me isolar. Não me quero inserir neste grupo de solitários. Mas sei que sou solitária à minha maneira. Culpa minha, eu sei...
Existem no entanto pessoas boas. Tenho a sorte de conhecer algumas.
Uma és tu. O meu maior seguidor. O meu melhor amigo. Aquele que lê o meu silêncio e vê por detras da máscara.
Duas amigas novas e um amigo que me têm ensinado tanto na vida... Que me mostram que é possível superar adversidades e ver que o sol continua lá. Somente ainda não consigo ver por entre as nuvens.
Uma amiga que me continua a procurar apesar de tantas vezes eu nem sequer retribuir a sua atenção.
Uma família que no meio de mais ou menos atenção sei que apenas quer a minha felicidade e nada mais. Cada um à sua maneira. Com mais ou menos palavras. Com mais ou menos compreensão. Mas com amor.
Questiono-me como me posso sentir sozinha no meio de tantas pessoas que procuram preencher o vazio que se instalou no meu interior. Não sei a resposta. Sei que efectivamente muitas vezes me sinto abandonada. E sei que essa sensação não se irá desvanecer enquanto não me encontrar a mim mesma.
Quero-me encontrar. Quero ver-me de verdade. Tou cansada de caminhar no vazio. Caminho sem parar e no entanto não consigo sair do mesmo sitio. Não é possível! Não pode ser assim!
Porque não consigo avançar? Será que algures na minha vida escolhi erradamente o percurso e agora estou perdida num labirinto? Será que vou encontrar a saida? Será que vou ter respostas a todas estas perguntas?
Gosto de respostas, no entanto a minha vida encontra-se repleta de perguntas... Dizem que só através das perguntas evoluimos por isso espero um dia alcançar as respostas e conquistar um pouco de felicidade.
Não peço o mundo, peço um sorriso... Não peço o impossível, peço o alcançável... Não peço mais perguntas, peço respostas... Não peço uma continuação na caminhada, peço um final!
Os dias passam e nada muda. Alias muito muda mas nada para melhor...
Mais me fecho, mais medo tenho, mais me apercebo que sou diferente. Mas na verdade somos todos.
Não acredito quando dizem que não há pessoas melhores umas que as outras. Há sim!
Existem pessoas sem o mínimo caracter, a minima consideração, a minima etica, a minima coragem, a minima vida dentro delas.
Viver tem que ser em sociedade, senão para que serviriam as palavras, os gestos, os olhares. Para comunicar, transmitir sentimentos, transmitir que queremos ligar-nos a alguem.
Tento não me isolar. Não me quero inserir neste grupo de solitários. Mas sei que sou solitária à minha maneira. Culpa minha, eu sei...
Existem no entanto pessoas boas. Tenho a sorte de conhecer algumas.
Uma és tu. O meu maior seguidor. O meu melhor amigo. Aquele que lê o meu silêncio e vê por detras da máscara.
Duas amigas novas e um amigo que me têm ensinado tanto na vida... Que me mostram que é possível superar adversidades e ver que o sol continua lá. Somente ainda não consigo ver por entre as nuvens.
Uma amiga que me continua a procurar apesar de tantas vezes eu nem sequer retribuir a sua atenção.
Uma família que no meio de mais ou menos atenção sei que apenas quer a minha felicidade e nada mais. Cada um à sua maneira. Com mais ou menos palavras. Com mais ou menos compreensão. Mas com amor.
Questiono-me como me posso sentir sozinha no meio de tantas pessoas que procuram preencher o vazio que se instalou no meu interior. Não sei a resposta. Sei que efectivamente muitas vezes me sinto abandonada. E sei que essa sensação não se irá desvanecer enquanto não me encontrar a mim mesma.
Quero-me encontrar. Quero ver-me de verdade. Tou cansada de caminhar no vazio. Caminho sem parar e no entanto não consigo sair do mesmo sitio. Não é possível! Não pode ser assim!
Porque não consigo avançar? Será que algures na minha vida escolhi erradamente o percurso e agora estou perdida num labirinto? Será que vou encontrar a saida? Será que vou ter respostas a todas estas perguntas?
Gosto de respostas, no entanto a minha vida encontra-se repleta de perguntas... Dizem que só através das perguntas evoluimos por isso espero um dia alcançar as respostas e conquistar um pouco de felicidade.
Não peço o mundo, peço um sorriso... Não peço o impossível, peço o alcançável... Não peço mais perguntas, peço respostas... Não peço uma continuação na caminhada, peço um final!
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
Eu
"I guess I just got lost
Being someone else.
I tried to kill the pain,
But nothing ever helped.
I left myself behind,
Somewhere along the way
Hoping to come back around
To find myself someday..."
Parte da letra de uma música que me marcou e que continua a ter significado na minha vida ano após ano.
Recordo-me como se fosse hoje dos momentos em que esta letra me ajudou a superar certas adversidades e a ter coragem de me encarar no espelho. Via-me ao espelho com os olhos carregados de lágrimas, porque a imagem que estava perante mim não era simplesmente a que idealizava. No entanto, tinha que ser forte e tentar aceitar-me. Não era o espelho que se partia em pedaços com a minha imagem, era eu. Não me via na realidade. Possivelmente ainda não vejo.
O que era? O que sou? O que serei?
Um ser humano, e como tal pleno de características individuais que me definem enquanto unico e dificilmente replicável no seu todo (daqui a uns anos não sei se será assim).
Penso que é assim que deveremos ser. Dificilmente replicávis. Somos unicos. Somos diferentes. Somos complexos. Mas não imutáveis...
Por vezes perdemo-nos no caminho querendo ser o que não somos, imitando modelos sociais que julgamos serem correctos, mas que podem simplesmente não se ajustar às nossas especificidades. E transformamo-nos, sem nos darmos conta, passo a passo, em algo que no final de contas nos apercebemos que nos tira a nossa singularidade. Não devemos ser apenas mais um, devemos sim ser aquele "um" que nos distingue dos outros.
Todos nós temos necessidade de adaptação e integração e tal origina que por vezes certas caractérísticas da nossa personalidade se tenham que moldar ao grupo onde nos inserimos. No entanto, moldar, não significa que nos anulemos e que o que pensamos ou o que somos deixe de fazer sentido.
Se é assim que quero ser, é assim que serei! Sem julgamentos. Quem te julga não te aceita.
Os anos passam e todos mudamos... Mais frios ou mais quentes, mais próximos ou mais distantes, mais receosos ou mais aventureiros, mais humanos ou menos humanos... Mas há quem veja para lá do que mostramos e veja no fundo dos nossos olhos a pessoa que somos e não a pessoa que mostramos.
Cada dia uma nova lição, cada dia uma mudança, um novo comportamento, uma nova descoberta do que sou...
Neste momento posso dizer que "jogo à defesa". Não deixo qualquer um entrar no meu cérebro e provocar sentimentos sem sentido. Não utilizo a palavra coração porque esse não está aberto a ningúem neste momento. Está trancado a sete chaves, e não é qualquer pessoa que descobrirá a chave. E sinceramente nem quero.
A pessoa desconfiada que me tornei pode não agradar a muitos, mas é assim que serei. E se me atacarem irei reagir e não simplesmente deixar andar. Já levei pancadas demais.
Podem assumir que estes pensamentos são sinónimo de uma força que está a aumentar, eu, no entanto, assumo que são reflexo de uma borboleta que se está a fechar e a perder as cores, fechando-se no seu casulo e não deixando ninguém entrar...
Being someone else.
I tried to kill the pain,
But nothing ever helped.
I left myself behind,
Somewhere along the way
Hoping to come back around
To find myself someday..."
Parte da letra de uma música que me marcou e que continua a ter significado na minha vida ano após ano.
Recordo-me como se fosse hoje dos momentos em que esta letra me ajudou a superar certas adversidades e a ter coragem de me encarar no espelho. Via-me ao espelho com os olhos carregados de lágrimas, porque a imagem que estava perante mim não era simplesmente a que idealizava. No entanto, tinha que ser forte e tentar aceitar-me. Não era o espelho que se partia em pedaços com a minha imagem, era eu. Não me via na realidade. Possivelmente ainda não vejo.
O que era? O que sou? O que serei?
Um ser humano, e como tal pleno de características individuais que me definem enquanto unico e dificilmente replicável no seu todo (daqui a uns anos não sei se será assim).
Penso que é assim que deveremos ser. Dificilmente replicávis. Somos unicos. Somos diferentes. Somos complexos. Mas não imutáveis...
Por vezes perdemo-nos no caminho querendo ser o que não somos, imitando modelos sociais que julgamos serem correctos, mas que podem simplesmente não se ajustar às nossas especificidades. E transformamo-nos, sem nos darmos conta, passo a passo, em algo que no final de contas nos apercebemos que nos tira a nossa singularidade. Não devemos ser apenas mais um, devemos sim ser aquele "um" que nos distingue dos outros.
Todos nós temos necessidade de adaptação e integração e tal origina que por vezes certas caractérísticas da nossa personalidade se tenham que moldar ao grupo onde nos inserimos. No entanto, moldar, não significa que nos anulemos e que o que pensamos ou o que somos deixe de fazer sentido.
Se é assim que quero ser, é assim que serei! Sem julgamentos. Quem te julga não te aceita.
Os anos passam e todos mudamos... Mais frios ou mais quentes, mais próximos ou mais distantes, mais receosos ou mais aventureiros, mais humanos ou menos humanos... Mas há quem veja para lá do que mostramos e veja no fundo dos nossos olhos a pessoa que somos e não a pessoa que mostramos.
Cada dia uma nova lição, cada dia uma mudança, um novo comportamento, uma nova descoberta do que sou...
Neste momento posso dizer que "jogo à defesa". Não deixo qualquer um entrar no meu cérebro e provocar sentimentos sem sentido. Não utilizo a palavra coração porque esse não está aberto a ningúem neste momento. Está trancado a sete chaves, e não é qualquer pessoa que descobrirá a chave. E sinceramente nem quero.
A pessoa desconfiada que me tornei pode não agradar a muitos, mas é assim que serei. E se me atacarem irei reagir e não simplesmente deixar andar. Já levei pancadas demais.
Podem assumir que estes pensamentos são sinónimo de uma força que está a aumentar, eu, no entanto, assumo que são reflexo de uma borboleta que se está a fechar e a perder as cores, fechando-se no seu casulo e não deixando ninguém entrar...
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Quase...
Já passam das 2 horas da manhã...
Mais uma vez as horas passam, o cansaço invade-me, porém o sono encontra-se distante.
Penso em escrever e no entanto sei quais os sentimentos que me invadem ao fazê-lo... Não resisto e começo a escrever.
Hoje, no entanto, as palavras não querem sair. Por isso vou deixar que falem por mim, uma vez mais na minha vida...
"Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono."
Odeio a desilusão de um quase.
Odeio saber que neste momentos a minha vida é um aglomerar de "quase" e um vazio de efectividades.
Odeio saber que fui eu que me deixei levar, destrui as minhas convicções e me acomodei ao quase, deixando que se transformasse em nunca...
Mais uma vez as horas passam, o cansaço invade-me, porém o sono encontra-se distante.
Penso em escrever e no entanto sei quais os sentimentos que me invadem ao fazê-lo... Não resisto e começo a escrever.
Hoje, no entanto, as palavras não querem sair. Por isso vou deixar que falem por mim, uma vez mais na minha vida...
"Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono."
Odeio a desilusão de um quase.
Odeio saber que neste momentos a minha vida é um aglomerar de "quase" e um vazio de efectividades.
Odeio saber que fui eu que me deixei levar, destrui as minhas convicções e me acomodei ao quase, deixando que se transformasse em nunca...
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Retrato
"Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
Em que espelho ficou perdida a minha face?"
Cecília Meireles
Que perfeita descrição do que sou actualmente...
A mudança aconteceu ao longo dos anos e eu sem dar conta abri espaço para que a mesme se entranha-se nos meus poros e agora não sei como a mandar embora.
O rosto alterou-se, a tristeza alojou-se e o coração simplesmente fechou-se...
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
Em que espelho ficou perdida a minha face?"
Cecília Meireles
Que perfeita descrição do que sou actualmente...
A mudança aconteceu ao longo dos anos e eu sem dar conta abri espaço para que a mesme se entranha-se nos meus poros e agora não sei como a mandar embora.
O rosto alterou-se, a tristeza alojou-se e o coração simplesmente fechou-se...
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Máscaras
Usar uma máscara tornou-se banal para mim.
Neste mundo de disfarces e máscaras, o mais puro torna-se confuso e fica difícil distinguir o real do trivial, o banal do essencial.
Não preciso de nenhum elemento físico, porque a verdadeira máscara consiste em mostrar o que não sou e esconder o que sinto.
Um mero exemplo... Torna-se tão simples comentar um vídeo ou uma frase numa rede social e parecer perfeitamente integrada com o que me rodeia e no entanto saber que tudo o que mostro de mim é simplesmente falso. Uma falsa alegria, um falso sorriso, uma falsa borboleta...
Acabei de ver um vídeo de uma criança a rir. Esses vídeos nunca falharam quando necessito urgentemente de parar as lágrimas. Mas há sempre uma primeira vez. Desta vez as lágrimas persistiram e persistem à medida que tento aliviar o meu sofrimento com esta escrita. Uma escrita sem sentido certamente para muitos, mas que para mim me liberta um pouco de todos os meus medos de exposição social. Expor-me por detrás de um blog para mim já é muito mais do que alguma vez imaginei ser capaz.
Já que nunca consegui gritar ao mundo o que destrói liberto aqui os meus anseios e parte do meu desespero.
Aqui cai a máscara! Aqui escrevo o que devo e o que não devo, sem no entanto me arrepender. Não me arrependo de uma unica palavra.
Ontem disseste-me que não conseguias entender como eu estava na realidade. Que o que comento nas redes sociais tão depressa demonstra um pouco de força e animo, como desalento e apatia. Pensei sobre isso, dei-te a minha explicação e sei que no fundo entendes o que eu sinto de verdade embora eu não te procure para um abraço, quando no entanto é isso que às vezes mais desejo. Um simples abraço sem palavras envolvidas... Para quê usar palavras quando metade, e considero metade um exagero, perdem sentido pouco depois de proferidas. Sempre foste o meu exemplo desde pequenina e deixo-te aqui esta pequena dedicatória que espero que responda à tua pergunda.
O sol, a luz, tornaram-se meus inimigos. Hoje tiraram-me de casa por uns momentos e deram o melhor em busca do meu sorriso perdido. E agradeço de todo o meu coração o tempo que me dedicas, a força que me tentas transmitir e as promessas que não deixas por cumprir.
E considero o que me disseste. Se deveria mostrar-me sem máscara aquela pessoa tão importante. Talvez esteja a chegar o momento... No fundo sempre procurei a sua compreensão, mas como consegui-la se me escondo por trás desta máscara de calma aparente... Nunca te quis desiludir. Mas quero que me vejas nua e crua. Lágrimas possivelmente serão uma consequência, mas já me habituei a elas.
Torna-se triste e revoltante dizer que nos habituamos a algo tão contra natura como chorar diariamente ou sentir o coração dilacerado por um imensurável cansaço psicológico. Porque nos habituamos às coisas más da vida? Porque me falta força para lutar? Porque faço tantas perguntas se nunca aceito as respostas que vocês ou a vida me dão? Acho que nunca irei sair da idade dos porquês...
Não quero mais usar uma máscara daquelas com um sorriso esculpido ao pormenor. Quero um sorriso natural. Mas querer não é poder. Não acredito nisso. Contesto essa afirmação com as minhas restantes forças. Há muitas condicionantes à nossa volta.
Neste preciso momento sinto-me a ficar tonta. Tonta com tantos pensamentos, tonta com tantas lágrimas, tonta com tanta droga no meu organismo. Não, não me tornei drogada, mas talvez por vezes exagere porque quero simplesmente dormir. Alcançar a paz que acordada não consigo.
Os momentos mais críticos do meu dia são os em que a máscara não está lá. O acordar e os minutos, horas, antes do sono me abraçar e me conduzir à serenidade que tanto anseio.
Sei que após mais um desabafo, por sinal, bastante extenso, ainda irei ser dominada por pensamentos para a estrada sem saída. São constantes. Mas por fim conduzida, por meras horas, para ti...
Para ti, paz!
"A habilidade de ver por detrás das mascaras, é um dom que atrai multidões e afasta multidões. Atrai multidões de sinceros e afasta multidões de falsos."
Ps. Agradeço a quem me vê.
Neste mundo de disfarces e máscaras, o mais puro torna-se confuso e fica difícil distinguir o real do trivial, o banal do essencial.
Não preciso de nenhum elemento físico, porque a verdadeira máscara consiste em mostrar o que não sou e esconder o que sinto.
Um mero exemplo... Torna-se tão simples comentar um vídeo ou uma frase numa rede social e parecer perfeitamente integrada com o que me rodeia e no entanto saber que tudo o que mostro de mim é simplesmente falso. Uma falsa alegria, um falso sorriso, uma falsa borboleta...
Acabei de ver um vídeo de uma criança a rir. Esses vídeos nunca falharam quando necessito urgentemente de parar as lágrimas. Mas há sempre uma primeira vez. Desta vez as lágrimas persistiram e persistem à medida que tento aliviar o meu sofrimento com esta escrita. Uma escrita sem sentido certamente para muitos, mas que para mim me liberta um pouco de todos os meus medos de exposição social. Expor-me por detrás de um blog para mim já é muito mais do que alguma vez imaginei ser capaz.
Já que nunca consegui gritar ao mundo o que destrói liberto aqui os meus anseios e parte do meu desespero.
Aqui cai a máscara! Aqui escrevo o que devo e o que não devo, sem no entanto me arrepender. Não me arrependo de uma unica palavra.
Ontem disseste-me que não conseguias entender como eu estava na realidade. Que o que comento nas redes sociais tão depressa demonstra um pouco de força e animo, como desalento e apatia. Pensei sobre isso, dei-te a minha explicação e sei que no fundo entendes o que eu sinto de verdade embora eu não te procure para um abraço, quando no entanto é isso que às vezes mais desejo. Um simples abraço sem palavras envolvidas... Para quê usar palavras quando metade, e considero metade um exagero, perdem sentido pouco depois de proferidas. Sempre foste o meu exemplo desde pequenina e deixo-te aqui esta pequena dedicatória que espero que responda à tua pergunda.
O sol, a luz, tornaram-se meus inimigos. Hoje tiraram-me de casa por uns momentos e deram o melhor em busca do meu sorriso perdido. E agradeço de todo o meu coração o tempo que me dedicas, a força que me tentas transmitir e as promessas que não deixas por cumprir.
E considero o que me disseste. Se deveria mostrar-me sem máscara aquela pessoa tão importante. Talvez esteja a chegar o momento... No fundo sempre procurei a sua compreensão, mas como consegui-la se me escondo por trás desta máscara de calma aparente... Nunca te quis desiludir. Mas quero que me vejas nua e crua. Lágrimas possivelmente serão uma consequência, mas já me habituei a elas.
Torna-se triste e revoltante dizer que nos habituamos a algo tão contra natura como chorar diariamente ou sentir o coração dilacerado por um imensurável cansaço psicológico. Porque nos habituamos às coisas más da vida? Porque me falta força para lutar? Porque faço tantas perguntas se nunca aceito as respostas que vocês ou a vida me dão? Acho que nunca irei sair da idade dos porquês...
Não quero mais usar uma máscara daquelas com um sorriso esculpido ao pormenor. Quero um sorriso natural. Mas querer não é poder. Não acredito nisso. Contesto essa afirmação com as minhas restantes forças. Há muitas condicionantes à nossa volta.
Neste preciso momento sinto-me a ficar tonta. Tonta com tantos pensamentos, tonta com tantas lágrimas, tonta com tanta droga no meu organismo. Não, não me tornei drogada, mas talvez por vezes exagere porque quero simplesmente dormir. Alcançar a paz que acordada não consigo.
Os momentos mais críticos do meu dia são os em que a máscara não está lá. O acordar e os minutos, horas, antes do sono me abraçar e me conduzir à serenidade que tanto anseio.
Sei que após mais um desabafo, por sinal, bastante extenso, ainda irei ser dominada por pensamentos para a estrada sem saída. São constantes. Mas por fim conduzida, por meras horas, para ti...
Para ti, paz!
"A habilidade de ver por detrás das mascaras, é um dom que atrai multidões e afasta multidões. Atrai multidões de sinceros e afasta multidões de falsos."
Ps. Agradeço a quem me vê.
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
Frio
Sinto um frio tão intenso que por momentos me corta a respiração.
Não se trata de uma baixa de temperatura puramente física, mas sim de um sentimento de profunda indiferença em relação a tudo o que me rodeia.
Não me sinto capaz de oferecer calor a ninguém, uma vez que me perco no gélido caminho que percorro dia após dia.
Aos poucos perco a essência do que sou e do que um dia esperei ser.
Não consigo exprimir preocupação, carinho, amizade, compreensão, entre outros sentimentos que em tempos me descreveriam na perfeição.
Sinto uma total apatia em relação a mim e isso reflete-se directamente em quem me rodeia.
Vontade de falar? Não existe. Vontade de esboçar um sorriso? Não existe. Vontade de amar? Não existe. Entre tantas outras vulgares e banais manifestações de vida e felicidade.
No entanto sinto que o que mais me fere é a incapacidade de olhar nos olhos quem quer que seja. Por isso escondo-me... Peço simplesmente para não falarem comigo e assim não terei que sair do casulo que me envolve. Porque sei que assim que no estado em que me encontro uma simples palavra provocará um mar de lágrimas. Elas estão presentes. Sempre!
Uma amiga disse-me que sempre que pensar em algo do passado e me vierem lágrimas aos olhos que significa que no meu intimo esse assunto não está resolvido... Ouvi-a com atenção e não tive como não concordar. A sabedoria da sua vida deveria dar-me força. Deveria...
Mas o que fazer quando não se consegue identificar a fonte da tristeza? O que fazer quando as lágrimas correm sem motivo aparente? Não sei. Não sei mesmo.
Um cansaço inexplicável atinge-me. Sem aviso prévio, ou então fui eu que não me apercebi dos sinais a tempo.
Um cansaço que me impede de mover, me limita os movimentos, me turva os pensamentos e me faz, por fim, cair na dolorosa frieza que me congela o coração.
Não gosto de ser fria, não o quero ser, mas já há muito tempo que deixei de sentir o calor da humanidade e me entreguei à cortante solidão.
Corta, fere, gela e destrói...
Não se trata de uma baixa de temperatura puramente física, mas sim de um sentimento de profunda indiferença em relação a tudo o que me rodeia.
Não me sinto capaz de oferecer calor a ninguém, uma vez que me perco no gélido caminho que percorro dia após dia.
Aos poucos perco a essência do que sou e do que um dia esperei ser.
Não consigo exprimir preocupação, carinho, amizade, compreensão, entre outros sentimentos que em tempos me descreveriam na perfeição.
Sinto uma total apatia em relação a mim e isso reflete-se directamente em quem me rodeia.
Vontade de falar? Não existe. Vontade de esboçar um sorriso? Não existe. Vontade de amar? Não existe. Entre tantas outras vulgares e banais manifestações de vida e felicidade.
No entanto sinto que o que mais me fere é a incapacidade de olhar nos olhos quem quer que seja. Por isso escondo-me... Peço simplesmente para não falarem comigo e assim não terei que sair do casulo que me envolve. Porque sei que assim que no estado em que me encontro uma simples palavra provocará um mar de lágrimas. Elas estão presentes. Sempre!
Uma amiga disse-me que sempre que pensar em algo do passado e me vierem lágrimas aos olhos que significa que no meu intimo esse assunto não está resolvido... Ouvi-a com atenção e não tive como não concordar. A sabedoria da sua vida deveria dar-me força. Deveria...
Mas o que fazer quando não se consegue identificar a fonte da tristeza? O que fazer quando as lágrimas correm sem motivo aparente? Não sei. Não sei mesmo.
Um cansaço inexplicável atinge-me. Sem aviso prévio, ou então fui eu que não me apercebi dos sinais a tempo.
Um cansaço que me impede de mover, me limita os movimentos, me turva os pensamentos e me faz, por fim, cair na dolorosa frieza que me congela o coração.
Não gosto de ser fria, não o quero ser, mas já há muito tempo que deixei de sentir o calor da humanidade e me entreguei à cortante solidão.
Corta, fere, gela e destrói...
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
Promessas
Como eu odeio promessas...
Fiz uma a mim mesma que vou agora mesmo quebrar. Prometi que a primeira ver que escreveria este ano seria quando sentisse aquele sentimento estranho... Ah como se chama mesmo? Felicidade!
Mas vejo os dias a passar e ela não espreita. Nem sequer passa para dizer um olá. E sinto-me cansada. Já deverias estar por cá. Nem que fosse só para mostrares que realmente existes. Porque eu só acredito no que vejo, e como já nem me consigo recordar da tua "forma", tal leva-me a duvidar da tua existência.
Promessas já as deixei de fazer... Qual o sentido? Mais cedo ou mais tarde iremos quebra-las. Algumas decerto muito mais cedo do que imaginariamos. Já quebrei algumas, não nego. Existem alturas na vida em que não medimos bem as palavras e utilizamos a célebre expressão "prometo... sempre... nunca".
Deixei de usar essas palavras já há algum tempo e só as uso em casos especiais, em que sei que me esforçarei ao máximo por cumprir e que não dependerá de mim o futuro de tais sentimentos. Porque no final de contas, as promessas estao quase sempre associadas a sentimentos. Só que alguns permanecem no tempo, e outros desvanecem-se na escuridão das mágoas.
Promessas já me fizeram mil... Sei que existe quem as irá cumprir, mas também assumo como certo que metade do que dizem quando prometem são apenas aglomerados de palavras, que servem para transmitir uma segurança no fundo inexistente.
Então qual o fundamento de uma promessa? Não existe. Quem gosta, quem quer preservar, demonstra dia após dia e não e não assume que uma palavra apenas basta como prova de um afecto.
Por isso agora digo a alto e bom som para quem quizer ouvir... "Não prometas o que não sabes se irás cumprir, porque eu não o prometerei mesmo sabendo que terei hipóteses de o cumprir".
Prefiro assim. Não assumo um compromisso. Não terei que ouvir nem proferir a célebre frase "Mas tu prometeste..."
Magoa tanto quando somos iludidos. Magoa porque uma promessa não é mais que um depositar de esperança em algo ou alguém. Já magoei e já fui magoada...
Mas como a esperança se foi, as promessas resolveram acompanha-la e cá fiquei eu sozinha a lutar contra a cegueira que me impede de ver o dia. Tenho pensado em tanto. Até demais. Elaboro conversas mentais e as minhas próprias respostas me fazem perder a noção do que sou e do que quero.
Perco a vontade de pensar e decido que o melhor caminho é apenas deixar-me embalar num sono profundo... Era bom não era que fosse assim tão simples? Mas quando se passam noites em claro sem explicação atinge-se um estado de excitação interna indiscritível e uma exterior serenidada, porém ilusória.
E o dia passa, e chega aquela hora em que alguém que te ama te olha nos olhos e te pergunta como estás. E nesse momento abre-se o coração, e as lágrimas correm de uma forma que respirar parece por momentos impossível.
E aquela pessoa que te viu nascer, abraça-te, seca as tuas lágrimas e promete que um dia tudo será diferente e melhor. E juro que tento acreditar nessa promessa. Nessa tento porque vem de ti...
Tudo acaba com um falso sorriso, que protege quem mais me ama de presenciar mais sofrimento.
Aconteceu hoje, acontecerá mil vezes mais.
Mas talvez um dia a promessa se cumpra...
Não! Estou a iludir-me... Neste momento não acredito que "It's always darkest before the dawn".
Acabo com algo que refelcte o que na verdade já passei e que me marcou e irá marcar para sempre.
"Não deve prometer andar na escuridão aquele que não viu o anoitecer."
(J. R. R. Tolkien)
Ps. Se nunca passaram por uma depressão profunda não prometam que lá estarão nos bons e maus momentos, porque certamente que os maus serão bastante mais frequentes e intensos, e apenas com muito amor se conseguirá ver que a pessoa amada estará lá, igualzinha, apenas mais frágil, por baixo do manto de tristeza e dor.
Fiz uma a mim mesma que vou agora mesmo quebrar. Prometi que a primeira ver que escreveria este ano seria quando sentisse aquele sentimento estranho... Ah como se chama mesmo? Felicidade!
Mas vejo os dias a passar e ela não espreita. Nem sequer passa para dizer um olá. E sinto-me cansada. Já deverias estar por cá. Nem que fosse só para mostrares que realmente existes. Porque eu só acredito no que vejo, e como já nem me consigo recordar da tua "forma", tal leva-me a duvidar da tua existência.
Promessas já as deixei de fazer... Qual o sentido? Mais cedo ou mais tarde iremos quebra-las. Algumas decerto muito mais cedo do que imaginariamos. Já quebrei algumas, não nego. Existem alturas na vida em que não medimos bem as palavras e utilizamos a célebre expressão "prometo... sempre... nunca".
Deixei de usar essas palavras já há algum tempo e só as uso em casos especiais, em que sei que me esforçarei ao máximo por cumprir e que não dependerá de mim o futuro de tais sentimentos. Porque no final de contas, as promessas estao quase sempre associadas a sentimentos. Só que alguns permanecem no tempo, e outros desvanecem-se na escuridão das mágoas.
Promessas já me fizeram mil... Sei que existe quem as irá cumprir, mas também assumo como certo que metade do que dizem quando prometem são apenas aglomerados de palavras, que servem para transmitir uma segurança no fundo inexistente.
Então qual o fundamento de uma promessa? Não existe. Quem gosta, quem quer preservar, demonstra dia após dia e não e não assume que uma palavra apenas basta como prova de um afecto.
Por isso agora digo a alto e bom som para quem quizer ouvir... "Não prometas o que não sabes se irás cumprir, porque eu não o prometerei mesmo sabendo que terei hipóteses de o cumprir".
Prefiro assim. Não assumo um compromisso. Não terei que ouvir nem proferir a célebre frase "Mas tu prometeste..."
Magoa tanto quando somos iludidos. Magoa porque uma promessa não é mais que um depositar de esperança em algo ou alguém. Já magoei e já fui magoada...
Mas como a esperança se foi, as promessas resolveram acompanha-la e cá fiquei eu sozinha a lutar contra a cegueira que me impede de ver o dia. Tenho pensado em tanto. Até demais. Elaboro conversas mentais e as minhas próprias respostas me fazem perder a noção do que sou e do que quero.
Perco a vontade de pensar e decido que o melhor caminho é apenas deixar-me embalar num sono profundo... Era bom não era que fosse assim tão simples? Mas quando se passam noites em claro sem explicação atinge-se um estado de excitação interna indiscritível e uma exterior serenidada, porém ilusória.
E o dia passa, e chega aquela hora em que alguém que te ama te olha nos olhos e te pergunta como estás. E nesse momento abre-se o coração, e as lágrimas correm de uma forma que respirar parece por momentos impossível.
E aquela pessoa que te viu nascer, abraça-te, seca as tuas lágrimas e promete que um dia tudo será diferente e melhor. E juro que tento acreditar nessa promessa. Nessa tento porque vem de ti...
Tudo acaba com um falso sorriso, que protege quem mais me ama de presenciar mais sofrimento.
Aconteceu hoje, acontecerá mil vezes mais.
Mas talvez um dia a promessa se cumpra...
Não! Estou a iludir-me... Neste momento não acredito que "It's always darkest before the dawn".
Acabo com algo que refelcte o que na verdade já passei e que me marcou e irá marcar para sempre.
"Não deve prometer andar na escuridão aquele que não viu o anoitecer."
(J. R. R. Tolkien)
Ps. Se nunca passaram por uma depressão profunda não prometam que lá estarão nos bons e maus momentos, porque certamente que os maus serão bastante mais frequentes e intensos, e apenas com muito amor se conseguirá ver que a pessoa amada estará lá, igualzinha, apenas mais frágil, por baixo do manto de tristeza e dor.
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